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25% já está valendo e pode vir mais. Como reagir?

Está formalizada a tarifa de 25% sobre mais de três mil produtos brasileiros, em decorrência da conclusão desfavorável ao Brasil, das investigações da Seção 301, com as exceções previstas sobre alimentos, minerais, químicos, fármacos, aeronaves e produtos já submetidos à Seção 232. Caso do aço, alumínio, cobre, veículos e madeira. Já não é apenas uma ameaça ou possibilidade. Agora os 25% são um peso efetivo para os produtores/exportadores brasileiros, que terão de encarar os impactos da nova tarifação.É um contexto que demanda ações concretas, como a busca por novos mercados, o que vem ocorrendo desde as primeiras tarifações, além da ajuda do governo para setores atingidos. Como a liberação dos R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelos 25% nas vendas para o mercado norte americano e para as prejudicadas pela guerra no Oriente Médio. Custos subiram em função da diminuição da oferta de insumos, do petróleo a fertilizantes. É o chamado programa “Brasil Soberano 3”.Mas não se trata apenas de minimizar os impactos. Por outro lado, também se pode avaliar o espaço para reações contrárias à decisão dos Estados Unidos. Pode haver a judicialização, ações junto à Justiça nos Estados Unidos, por parte de exportadores prejudicados. O governo e o setor privado podem encaminhar novas negociações junto ao governo Trump, com chances reduzidas de sucesso, dados os impasses diplomáticos e também em torno dos questionamentos apresentados nas investigações, como em relação ao PIX, decisões do STF contra redes sociais e outros acordos comerciais do País. Mas podem prossefuir também as negociações com os compradores de lá, para uma pressão conjunta, além de recursos à OMC e até a aplicação da reciprocidade. Nesse sentido, da reciprocidade, não seria no âmbito de uma simples retaliação, de pagar na mesma moeda, até porque o Brasil não tem fôlego pra isso. Mas especialistas em comércio exterior não descartam medidas que atinjam determinados segmentos ou empresas dos Estados Unidos, de forma a ampliar os custos locais da política tarifária. Não vamos esquecer que a lista de exceções cresceu bastante, justamente, para evitar impactos negativos em termos de oferta e preços para o próprio país, o que tem ajudado a derrubar, substancialmente, a popularidade de Trump.Na hipótese de aplicação de alguma reciprocidade é preciso avaliar com cuidado o risco de contrapartidas, como a taxação de 50% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos do Canadá, com base na seção 338, que tem relação com discriminação setorial. E não se descarta outras ações restritivas ao intercâmbio comercial. Trump já sinaliza até a imposição de uma tarifa de 200% sobre medicamentos genéricos, para estimular investimentos na produção local. É o pensamento protecionista que, em algumas situações, se mistura com interesses políticos.E ainda falta a aplicação dos 12,5%, alíquota que ameaça 60 países, sob argumento de aquisições com origem em trabalho forçado. Tarifa que, na verdade, deve substituir os atuais 10% da Seção 122, que vão deixar de valer nesta semana. Há risco de produtos brasileiros acabarem tendo uma tarifação total de 37,5%, limitador muito mais forte das vendas para o mercado dos Estados Unidos. Enfim, há espaço para reações, que só têm de ser bem calculadas, até porque se está lidando com toda a imprevisibilidade do outro lado.


Fonte: Jovem Pan

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