Mojtaba Khamenei Foto: EFE/EPA/ABEDIN TAHERKENAREH
A declaração do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, de que o Estreito de Ormuz “seguirá fechado” como instrumento de pressão política contra Estados Unidos e Israel representa um dos momentos mais tensos da geopolítica contemporânea.
Em sua primeira fala pública desde que assumiu o cargo, Khamenei deixou claro que o bloqueio da via navegável mais estratégica do planeta é uma “alavanca necessária” diante do que classifica como “agressões” ocidentais.
Localizado entre o Irã e Omã, o Estreito de Ormuz não é apenas uma passagem marítima – é o epicentro da segurança energética mundial.
Por seus 39 quilômetros de largura, no ponto mais estreito, escoam cerca de 20% de todo o petróleo consumido no planeta e parcela significativa do gás natural liquefeito (GNL). São aproximadamente 15 a 20 milhões de barris diários que abastecem principalmente as economias asiáticas – China, Índia, Japão e Coreia do Sul –, todas extremamente dependentes dessa rota.
Para os países do Golfo, o estreito é a única janela para o mundo. Arábia Saudita, Iraque, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Catar veem sua capacidade de exportação completamente refém da estabilidade dessa passagem.
Quando o Irã ameaça ou efetivamente bloqueia o estreito, não está apenas desafiando o Ocidente – está paralisando a espinha dorsal econômica de seus vizinhos.
A posição de Khamenei revela uma estratégia calculada de projeção de poder assimétrico. O Irã, consciente de suas limitações militares convencionais diante da aliança EUA-Israel, transformou o estreito em sua principal arma geopolítica. Ao controlar esse gargalo, Teerã adquire capacidade de influenciar mercados globais e impor custos significativos a seus adversários sem necessariamente engajar em confronto direto.
Em resumo, o fechamento do Estreito de Ormuz representa um choque energético e econômico de proporções históricas, interrompendo o fluxo de uma parcela vital do petróleo e gás mundial, disparando a inflação e ameaçando a estabilidade de cadeias de suprimentos globais.

