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Vamos descomplicar a crase?

Uso da crase (Imagem ilustrativa) Foto: IAChat GPT
Como prometi na última semana, quero começar a passar a vocês algumas dicas sobre o uso da crase. Confesso: ela já me deu um nó na cabeça muitas vezes. Até porque, aprendi lá na escola; e depois na faculdade; de um jeito – perdão aos meus queridos professores – chato pra dedéu.
Quando fui dar aulas, foi um sofrimento só, porque precisei desmistificar a crase, para que fosse mais acessível aos meus aluninhos. Nossa! Não foi fácil…
Mas hoje, trabalhando com jornalismo, aprendo quase todos os dias mais detalhezinhos sobre ela. Aliás, temos uma jornalista no nosso site que sempre me ensina muito sobre crase. Sou grata demais!
O que quero dizer é que o tema é longo… mas, se você me perguntar: é simples? Eu direi que sim. Até porque, no português, vale sempre o bom senso. Lembra disso? Pois é…
Mas, como, temos muitos detalhes… hoje vou começar pelo que a crase é e quando não usamos. Se entendermos isso, já descomplica metade do caminho. Beleza?
O que é crase?
Então; a crase não é apenas um acento no “a”. Ela é uma ocorrência especial: quando um “a” — de artigo — se une a um “a” — de preposição.
Por isso, muita gente ensina a fazer aquela troca pelo masculino. Se aparecer “ao”, usamos crase.
E aqui entra o primeiro caso em que não a usamos:
1. Não usamos crase diante de palavra masculina.
Sendo assim: Fui a pé para o trabalho. (pé – substantivo masculino)
Ou: No fim de semana, andei a cavalo. (cavalo – substantivo masculino)
Agora, já que a crase é a junção de artigo mais a preposição, quando aparece um artigo indefinido (um, uma), ela também não acontece.
2. Não usamos crase diante de artigos indefinidos.
Por exemplo: Fomos a uma festa muito bacana.
Ou: Cheguei a uma conclusão interessante.
Captou?
Outra coisa: se precisamos de dois “as” para que a crase aconteça… ela também não aparece antes de verbos.
3. Não usamos crase antes de verbos.
Sendo assim: Comecei a cantar na igreja bem novinha.
Ou: Estou disposta a ajudar os desabrigados pela chuva.
Anotou aí?
4. Não usamos crase antes de pronomes pessoais, de tratamento, demonstrativos e indefinidos.
E por quê? Porque não há artigo antes deles. Sem artigo, sem dois “as”.
Por exemplo: Não peça nada a ninguém.
Ou: Contei a ela que já resolvi o problema.
Ele não trouxe nada a você.
Dei bom dia a todos. (Lembra do exemplo da última semana? Pois é… ele cabe bem aqui.)
Agora; e aqui, bastante atenção, sim? Os pronomes demonstrativos aquele, aquela, aquilo admitem artigo. Ou seja: nesses casos, a crase aparece sim.
Então: Assisti àquele filme que você me indicou.
Ou ainda: Entreguei meus documentos àquela funcionária.
5. Não usamos crase em expressões repetidas; ainda que sejam femininas.
Por exemplo: dia a dia, cara a cara, frente a frente, ponta a ponta, passo a passo, boca a boca, um a um, face a face, corpo a corpo, etc.
6. Não usamos crase diante de numerais cardinais.
E aqui, fique esperto, sim? Usamos crase diante de horas, mas não diante de números.
Por exemplo: O evento acontecerá daqui a dois dias.
O evento foi marcado às 14h.
Por fim; e, pra mim, essa é uma das dicas mais fáceis, mas vejo muita gente boa derrapando nela, por isso, se liga!
7. Não usamos crase se o “a” está no singular e a palavra seguinte está no plural.
Exemplo: Não vou a festas de carnaval.
Ou ainda: Creio que falo aqui a pessoas honestas.
De verdade, espero ter ajudado. Até porque, a crase não é um bicho de sete cabeças. Se você entender o porquê, ela passa a fazer um baita sentido.
Um abraço e até a próxima!


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