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O uso da crase diante de um roteiro de viagem; sem crise

Uso da crase em destinos de viagens (Imagem ilustrativa)
Olá, na aula passada… ops! No texto da semana passada, falei sobre o que é a crase e onde ela não é usada. Lembra? A crase não é apenas um acento no “a”. Ela é uma ocorrência especial: quando um “a” — de artigo — se une a um “a” — de preposição. Beleza?
Também, no último texto, pedi perdão aos meus professores por não ter entendido muito da crase na época da escola… E aqui resgato uma lembrança daquele tempo. Tive um professor muito sério, porém dono de um grande coração, que costumava cantarolar: “Se eu vou a e volto da, crase há; se eu vou a e volto de, crase pra quê?”
É provável que você já tenha ouvido essa “canção”; até por isso, me senti à vontade para repeti-la. Pois é, meu professor Boanerges — sim, esse era o nome dele — cantarolava, eu captava… mas isso se aplicava apenas às cidades, estados e países.
E no restante dos casos? Se lá atrás, eu me agitava; penso que hoje, pode acontecer o mesmo com você. Por isso, muita calma nessa hora; porque hoje vou falar apenas da crase diante de destinos — ou roteiros de viagem. Combinado?
A crase diante de nomes de cidades, estados e países
Veja: se vou a e volto da… crase há.
Assim: nas férias, vou à Itália. E por quê? Porque, quando eu voltar, volto da Itália.
Agora, se eu vou a e volto de… crase pra quê?
Note: vou a São Paulo assistir a uma peça. E por que sem crase? Porque, quando eu voltar, voltarei de São Paulo. Percebeu?
Agora, dica: pensando em termos do nosso país, ajuda muito sabermos que não usamos crase diante de quase nenhuma cidade brasileira; até porque a maioria delas repele o uso do artigo. E, como já vimos, para que a crase ocorra, é preciso o “a” do artigo mais o “a” da preposição.
Então, se alguém disser “vou à Brasília” perto de você… já ajude o coleguinha; até porque não há crase. Combinado?
Mas veja: em relação aos estados brasileiros, apenas Bahia e Paraíba admitem crase.
Logo, vou à Bahia, porque volto da Bahia. E vou à Paraíba, porque volto da Paraíba.
Mais uma dica: os demais estados brasileiros ou são nomes masculinos; portanto, não se usa crase diante deles, ou são nomes que não admitem artigo.
Agora, vamos complicar um pouquinho?
Se, por acaso, diante do nome da cidade ou do estado houver um elemento restritivo ou qualificativo, o artigo pode aparecer e, com ele, a crase também.
Olhe só: vou à Brasília dos excluídos, e não à dos políticos endinheirados. E por quê? Porque volto da Brasília dos excluídos.
Vou à Recife das luzes. Logo, volto da Recife das luzes.
Até aqui, tudo certo?
E quanto aos países? Agora que já passamos por cidades e estados vamos atravessar a fronteira?
A lógica é a mesma: tudo depende de o nome do país aceitar ou não o artigo. Se aceita — e for feminino —, pode ter crase.
Logo: enviamos saudações à Argentina. Ou, seja bem-vindo à Bolívia.
Agora, se não aceita artigo, nada de crase: vou a Portugal. Ou, ainda cheguei a Israel.
E há casos em que as duas formas aparecem: vou à França ou vou a França. Até porque posso voltar da França ou de França.
Mas, preste atenção: meu amigo viajou à Inglaterra, mas não foi a Londres. Ou seja: o país aceita artigo, mas a cidade, não.
Dessa forma, para esse conteúdo, seguimos com a mesma cantiga: “Se eu vou a e volto da, crase há. Se eu vou a e volto de, crase pra quê?”
Confesso que, agora, essa musiquinha faz muito mais sentido para mim. E, de verdade, só posso agradecer ao meu professor.
Por ora, espero ter ajudado você a compreender esse ponto.
Um abraço e até a próxima viagem! Opa… até o próximo texto!


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