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Policiais federais aprovam estado de greve após três dias de assembleia com 27 sindicatos

Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ABr
Depois de três dias de assembleia com os 27 sindicatos filiados, a Federação Nacional dos Policiais Federais aprovou o estado de greve nesta quinta-feira (26). A frente antecede uma eventual paralisação e foi aprovada para cobrar do governo federal melhorias para a categoria.
“Aprovamos também na próxima semana que todos os sindicatos façam as suas Assembleias Gerais Extraordinárias a fim de deliberar as novas providências e as novas ações que devemos ter em face desse momento de negociação”, declarou Marcos Avelino, vice-presidente da Fenapef.
Resposta do governo
Tão logo foi aprovado o indicativo de estado de greve, o governo federal abriu um canal de comunicação. “Neste momento, a gente conversa, nós temos interlocução com dois importantes ministérios. Aguardamos alguma proposta a ser apresentada pelo governo”, informou Avelino.
A Fenapef usou a aprovação do estado de greve como instrumento de pressão para forçar uma proposta concreta do Palácio do Planalto antes de uma eventual paralisação efetiva.
Efeitos da paralisação
A Fenapef afirmou que a mobilização deve recair sobre atividades diversas, como investigações, apreensões e serviços administrativos desempenhados pelos policiais federais, com danos também em operações em andamento.
A avaliação interna da categoria é que uma paralisação da PF pode expor uma fragilidade do governo na condução da segurança pública e transmitir a impressão de inércia no enfrentamento ao crime organizado.
Reivindicações da categoria
Entre as principais reivindicações está o reajuste salarial e a valorização profissional. Um agente ouvido sob reserva afirmou que “o patamar remuneratório atual é muito injusto”, tratando o descontentamento interno com a atual estrutura de salários.
Policiais apontam o aumento de atribuições nos últimos anos como fator de desgaste. Um dos exemplos citados é o registro de CACs, função que antes era de responsabilidade do Exército e foi transferida para a PF em julho de 2025.
A categoria também externa frustração com a falta de implementação do Funcoc, o Fundo de Combate às Organizações Criminosas, anunciado pelo então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski e que, segundo relatos, ainda não saiu do papel.
Racha entre agentes e delegados
Há um movimento paralelo e distinto entre os delegados da Polícia Federal, que aprovaram uma paralisação chamada “82 horas sem a PF”, em referência aos 82 anos da corporação.
As reivindicações são também por valorização de carreira, mas os movimentos são diferentes e vão de encontro a um racha antigo entre as duas categorias, que começou de forma mais avessa durante greve geral de 2012.
Os delegados suspenderam a paralisação de 82 horas na segunda-feira (23) e se reúnem novamente na próxima segunda (30) para deliberar se voltam à mobilização, diante das tratativas em curso com o governo.
Constrangimento político para o governo
Ambos os movimentos são pressionados pelos prazos do ano eleitoral. A legislação eleitoral proíbe reajuste salarial ao funcionalismo público no período de 180 dias antes da eleição.
O prazo cria uma janela de negociação estreita para o governo, que precisa apresentar uma proposta antes que o calendário eleitoral inviabilize qualquer reajuste formal.
Levantamento mais atual da AtlasIntel aponta a Polícia Federal como a instituição com maior nível de confiança entre os brasileiros.
Ainda assim, segundo as entidades, o reconhecimento social não tem sido acompanhado por medidas concretas de valorização por parte do governo.
Sob avaliação
No momento, os sindicatos estão alinhando as informações e deliberando as possibilidades de atos públicos em cada estado.
A Fenapef indicou que, caso o governo não apresente proposta satisfatória nas negociações em curso com os dois ministérios, a decisão sobre deflagrar uma greve efetiva ficará a cargo das assembleias extraordinárias que cada sindicato realizará na semana que vem.​​​​​​​​​​​​​​​​


Fonte: Conexão Política

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