A asma é uma doença de caráter hereditário. O paciente frequentemente possui parentes alérgicos ou apresenta outras condições associadas, como rinite alérgica, dermatite atópica e alergia alimentar. Não por acaso, os primeiros sinais costumam aparecer ainda na infância, muitas vezes com tosse crônica ao brincar, chiado no peito ou durante infecções virais, como resfriados comuns.
Nesses casos, é fundamental que os pais levem a criança ao médico assim que perceberem esses sintomas. Quanto mais precoce o diagnóstico, melhor a resposta ao tratamento e menores as chances de complicações ao longo da vida.
Como saber se a asma está sob controle
Uma asma bem controlada é aquela em que o paciente não apresenta falta de ar ou a apresenta com frequência muito baixa, no máximo uma vez por mês. Isso indica que o organismo está respondendo bem à terapia em uso, que geralmente combina um corticoide inalatório com um broncodilatador.
Quando as crises são frequentes, aparecem à noite, limitam atividades do dia a dia ou exigem uso repetido da bombinha de alívio, o sinal é claro: a asma não está controlada e é preciso buscar avaliação médica.
A análise considera os sintomas nas últimas quatro semanas:
Asma controlada: nenhum ou até dois dias por semana com sintomas
Parcialmente controlada: mais de dois dias por semana com sintomas
Não controlada: três ou mais características de controle parcial presentes
Outros sinais de alerta incluem acordar à noite com tosse ou falta de ar, necessidade frequente de medicação de alívio, faltas no trabalho ou na escola e impacto na qualidade de vida.
Uso incorreto da bombinha compromete o tratamento
Um dos principais desafios no controle da asma está no uso adequado dos dispositivos inalatórios. Muitos pacientes utilizam apenas o medicamento de alívio e interrompem o corticoide inalatório quando os sintomas melhoram, o que aumenta o risco de crises.
O corticoide inalatório deve ser mantido diariamente, mesmo na ausência de sintomas, pois é responsável por controlar a inflamação das vias aéreas.
Erros na técnica também são comuns, como não agitar o dispositivo antes do uso, não expirar completamente antes de inalar, inspirar rápido demais ou não higienizar o aparelho. Esses fatores reduzem a eficácia do tratamento.
Quando a asma pode ser considerada grave
A persistência de sintomas mesmo com tratamento adequado pode indicar asma grave. Nesses casos, é necessária reavaliação médica e investigação de fatores associados, como refluxo gastroesofágico, polipose nasal ou sensibilidade a medicamentos.
Também é fundamental identificar os gatilhos das crises. Entre os mais comuns estão ácaros, poeira, mofo, poluição e pelos de animais. Esses fatores podem ser identificados por testes alérgicos.
Controle do ambiente ajuda a prevenir crises
Medidas simples no ambiente doméstico contribuem para reduzir a exposição a agentes desencadeantes:
Limpeza com pano úmido, evitando levantar poeira
Aspiração frequente de colchões e estofados
Controle da temperatura e da umidade do ar
Redução de itens que acumulam poeira
Evitar animais de pelo dentro de casa
Essas ações, associadas ao uso correto da medicação, ajudam a diminuir a frequência das crises.
Tratamento vai além do alívio imediato
O objetivo do tratamento não é apenas aliviar sintomas, mas controlar a inflamação e melhorar a resposta do organismo. Nesse contexto, a imunoterapia alérgica tem se destacado como uma alternativa eficaz, especialmente em casos moderados a graves.
Com diagnóstico adequado, adesão ao tratamento e acompanhamento contínuo, é possível manter a asma sob controle e preservar a qualidade de vida. Ignorar sinais ou tratar apenas as crises pode comprometer a evolução da doença.
Por Dr. Luiz Manoel Werber de Souza Bandeira – Medico Alergologista e Imunologista | CRM 52-29459-0/RJ | RQE 44511
Fonte: Jovem Pan