O presidente do Parlamento do Irã afirmou nesta quinta-feira (9) que o Líbano é parte central do cessar-fogo de duas semanas firmado com os Estados Unidos, alertando que violações terão consequências severas, após intensos ataques de Israel no país.
“O Líbano e todo o Eixo da Resistência, como aliados do Irã, formam uma parte inseparável do cessar-fogo”, disse Mohammad Bagher Ghalibaf em publicação na rede X.
“Violações do cessar-fogo terão custos explícitos e respostas FORTES”, acrescentou.
Israel rejeita incluir Líbano em trégua entre EUA e Irã
Israel prometeu intensificar os ataques contra o Hezbollah nesta quinta-feira, rejeitando pedidos internacionais para que o frágil cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã seja ampliado para incluir o conflito no Líbano.
Ao menos 250 pessoas morreram e mil ficaram feridas nos ataques mais recentes, segundo o Ministério da Saúde libanês. Ghalibaf reiterou que Teerã considera o Líbano parte do acordo e ameaçou com “respostas fortes”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou vitória no conflito no Oriente Médio após firmar uma trégua de duas semanas para permitir negociações com o Irã, que já deixou milhares de mortos e abalou a economia global.
No entanto, o futuro das negociações — previstas para começar nesta semana no Paquistão — já enfrenta incertezas. Teerã condenou os ataques israelenses no Líbano, enquanto sua agência nuclear descartou limitar o enriquecimento de urânio, uma das principais exigências de Washington.
“Continuamos a atacar o Hezbollah com força, precisão e determinação”, afirmou o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. “Quem agir contra civis israelenses será atingido.”
Em resposta, Ghalibaf reiterou que o Líbano integra o cessar-fogo e voltou a ameaçar reações duras em caso de violações.
A embaixada do Irã no Paquistão também apagou uma publicação que indicava a chegada de uma delegação iraniana ao país, sem esclarecer se a visita ainda ocorrerá.
Pressão internacional e risco de escalada
Diante do risco de colapso da trégua, líderes internacionais pedem que o acordo inclua o Líbano. A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, afirmou que as ações de Israel colocam o cessar-fogo sob forte pressão.
O chanceler francês, Jean-Noël Barrot, classificou os ataques como “inaceitáveis”, enquanto autoridades britânicas também defenderam a ampliação da trégua.
O governo libanês declarou esta quinta-feira como dia de luto nacional pelas vítimas dos bombardeios. O Hezbollah afirmou ter disparado foguetes contra Israel em resposta ao que chamou de violação do acordo.
Já o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, apoiou a posição de Israel e disse que o Líbano não faz parte da trégua. “Se o Irã quiser prejudicar as negociações por causa do Líbano, que não tem relação com isso, será uma escolha deles”, afirmou.
Negociações sob risco
As declarações ocorrem às vésperas de negociações decisivas no Paquistão. Um dos principais pontos de tensão é o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.
O Irã anunciou rotas alternativas para navios, citando risco de minas marítimas, mas não está claro se a passagem pelo estreito segue liberada. A Casa Branca classificou como “completamente inaceitável” qualquer tentativa de bloqueio.
O alto comissário da ONU para direitos humanos, Volker Turk, descreveu como “horrível” a escala de mortes no Líbano. Testemunhas relataram pânico durante os ataques em Beirute, com pessoas correndo enquanto fumaça tomava as ruas.
*AFP
Fonte: Jovem Pan