As últimas pesquisas eleitorais têm mostrado o governo em situação bem desconfortável. É certo que a oposição ainda não tem sido alvo de críticas mais pesadas, que devem ocorrer quando as campanhas começarem para valer. Mas, independentemente das mudanças nas intenções de votos, tem a questão da popularidade, do índice de rejeição ou aprovação.
Se sabe que temas como segurança, corrupção, serão relevantes. Mas a percepção da economia, que sempre tem forte influência, tem jogado contra. O governo até tem marcado pontos importantes. Claro que quem é contra a atual gestão questiona, não acredita nos danos, mas o desemprego, por exemplo, caiu mais que o esperado, para patamares históricos de baixa, com aumento da renda, em termos reais. Alguns setores até estão com dificuldade para contratar. Programas sociais avançaram, como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, o Pé de Meia, Farmácia Popular. Ainda teve o reajuste real do salário mínimo, beneficiando trabalhadores e o piso dos aposentados e beneficiários da Previdência. Ainda teve o aumento da faixa de isenção do imposto de renda. A inflação, até a recente pressão de preços, como de combustíveis, por reflexo da guerra no Oriente Médio, vinha rodando abaixo do teto da meta.
Mas nada disso parece ter tido qualquer efeito no sentido de melhorar a percepção quanto ao ambiente econômico. A questão dos juros pode ser um problema, ainda mais com os recordes de endividamento e inadimplência. E a guerra pode adiar um alívio maior dos juros e do custo do crédito. Daí a preocupação do governo em lançar alternativas para renegociação e redução das dívidas.
Porém, em relação à taxa básica e aos juros cobrados pelo mercado, fora o comportamento da inflação, uma mudança maior dependeria de negociações políticas, que viabilizassem maior contenção de despesas obrigatórias,incluindo emendas,penduricalhos, super salários, e das próprias políticas do governo, como de correção real do mínimo. que teve impacto pesado na Previdência. Nesse contexto, o governo, criou um ambiente desfavorável ao ajuste das contas, à contenção do avanço da dívida pública, que atrapalha a política monetária e causa incertezas no mercado financeiro, principalmente. E para cobrir os gastos e cumprir as metas, teve de reforçar o aumento de arrecadação que pegou mal junto à boa parcela da população e do empresariado.
Juros e o fiscal podem estar atrapalhando a tal percepção de cenário ao mesmo tempo em que programas sociais passaram a ser vistos mais como obrigação do que como benefício. Parece um processo meio viciado. O que deixa dúvidas quanto a possíveis efeitos da redução da jornada de trabalho, de novas regras para aplicativos em debate, sob fogo cruzado. Novas bandeiras defendidas pelo governo. Agora, se fica difícil para o governo obter ganho de imagem nessas condições, bom lembrar que a oposição não pode se colocar contra muitos desses programas que citei. Pode pegar mal. É por toda essa situação que o ajuste necessário das finanças públicas será um dos maiores desafios do próximo governo, seja quem for o vencedor das urnas.
Fonte: Jovem Pan