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Israel e Líbano realizam primeiras negociações diretas em mais de 30 anos

Representantes libaneses e israelenses se encontram nesta terça-feira (14) em Washington para as primeiras conversas diretas entre os dois países em mais de 30 anos. O encontro, mediado pelos Estados Unidos, ocorre em meio à guerra no Oriente Médio, mas a forte oposição do Hezbollah deixa poucas perspectivas de um acordo para interromper os combates.
Os EUA pressionam por um cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, temendo que o conflito afete as negociações paralisadas com o Irã desde o fracasso da reunião no Paquistão no fim de semana. Washington afirmou que “a bola está com o Irã” para encerrar a guerra na região, após impor um bloqueio naval aos portos iranianos no Estreito de Ormuz — via que Teerã já havia praticamente fechado.
O Líbano foi arrastado para o conflito em 2 de março, quando o Hezbollah, movimento pró-Irã, abriu uma frente contra Israel, dias após o início da guerra em 28 de fevereiro com os ataques israelenses-americanos contra o Irã. Até o momento, segundo autoridades libanesas, os ataques israelenses deixaram mais de 2 mil mortos e deslocaram pelo menos um milhão de pessoas.
A reunião em Washington — a primeira desse tipo desde 1993 — será mediada pelo secretário de Estado Marco Rubio e contará com a presença dos embaixadores de Israel e do Líbano nos Estados Unidos. As expectativas de avanço são baixas: o líder do Hezbollah, Naim Qasem, pediu o cancelamento das negociações, classificando-as como “uma submissão e uma capitulação”. O governo israelense, por sua vez, descartou qualquer discussão de cessar-fogo sem o desarmamento do grupo.
Mesmo assim, o presidente libanês, Joseph Aoun, manifestou esperança de que uma trégua seja alcançada e que negociações plenas entre os dois países — tecnicamente em guerra há décadas — possam começar. Em Beirute, moradores celebram a possibilidade de paz. “Estamos extremamente cansados. Vivenciamos muitas guerras e queremos descansar”, disse Kamal Ayad, de 49 anos.
Bloqueio naval
Enquanto o mundo acompanha a cúpula Israel-Líbano, o presidente Donald Trump intensificou a pressão sobre o Irã com um bloqueio naval ao Estreito de Ormuz e ameaças de afundar qualquer embarcação que tente cruzar a região. O Irã classificou a medida como “ato de pirataria” e alertou que, se seus portos forem ameaçados, “nenhum porto no Golfo Pérsico e no Mar Arábico estará seguro”.
Analistas avaliam que Trump busca privar Teerã de recursos financeiros e, ao mesmo tempo, pressionar Pequim — maior comprador de petróleo iraniano — a influenciar o regime iraniano. A China já classificou o bloqueio como “perigoso e irresponsável”. França e Reino Unido anunciaram que sediarão na sexta-feira (17) uma videoconferência com “países não beligerantes” para discutir uma missão defensiva que restabeleça a liberdade de navegação na região.
Apesar da escalada, o frágil cessar-fogo de duas semanas, acertado na quarta-feira passada, ainda está em vigor. Trump afirmou na Casa Branca que recebeu um telefonema de representantes iranianos interessados em um acordo urgente. Duas fontes paquistanesas de alto escalão informaram que Islamabad trabalha para organizar uma nova rodada de negociações entre Irã e Estados Unidos.
A televisão estatal iraniana informou que o presidente Masoud Pezeshkian disse ao homólogo francês, Emmanuel Macron, que Teerã “continuará a dialogar apenas dentro da estrutura do direito internacional”.
Pausa no enriquecimento nuclear
Trump insiste que qualquer acordo deve incluir a proibição permanente de armas nucleares ao Irã. Segundo veículos de imprensa, os EUA pediram a suspensão por 20 anos do programa de enriquecimento de urânio iraniano. Teerã propôs apenas cinco anos de suspensão, oferta rejeitada por Washington.
Os esforços diplomáticos se intensificam em outras frentes: o chanceler russo Sergey Lavrov chegou a Pequim nesta terça-feira, após conversa com o homólogo iraniano Abbas Araqchi. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, que também está na capital chinesa, afirmou após reunião com o presidente Xi Jinping que a China pode ter um papel “importante” na busca de soluções diplomáticas para o conflito.
*Com informações da AFP


Fonte: Jovem Pan

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