Começou a valer às 18h desta quinta-feira (16) o cessar-fogo de 10 dias entre o Líbano e Israel, acordo que pode se estender caso tenha um acordo entre as partes, informou os Estados Unidos. O objetivo de cessa-fogo é permitir negociações em direção a um acordo permanente de segurança e paz. “Todas as partes reconhecem que as forças de segurança do Líbano têm a responsabilidade exclusiva pela soberania e defesa nacional do Líbano; nenhum outro país ou grupo tem a pretensão de ser o garantidor da soberania do Líbano”, diz o acordo.
Os dois países solicitaram aos Estados Unidos que facilitassem novas negociações diretas entre eles para resolver todas as questões restantes, incluindo a demarcação da fronteira terrestre internacional, de acordo com o acordo de cessar-fogo.
“Israel e Líbano afirmam que os dois países não estão em guerra e se comprometem a se engajar em negociações diretas de boa-fé, facilitadas pelos Estados Unidos, com o objetivo de chegar a um acordo abrangente que garanta segurança, estabilidade e paz duradouras entre os dois países”, diz o texto divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA.
A campanha de Israel no Líbano surgiu como um grande obstáculo para garantir um acordo de paz buscado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para encerrar a guerra contra o Irã que ele lançou com Israel no final de fevereiro, o que interrompeu o comércio global de energia, elevando os preços do petróleo e arriscando mais consequências econômicas.
Com o cessa-fogo em vigor, o governo libanês tomará medidas para impedir que o Hezbollah e todos os outros grupos armados não estatais em seu território realizem ataques contra Israel, de acordo com o texto do acordo de cessar-fogo divulgado pelo Departamento de Estado dos EUA. Israel pode tomar as medidas necessárias em autodefesa contra ataques planejados, iminentes ou em andamento durante o período de cessar-fogo, mas concordou em não realizar nenhuma operação militar ofensiva no Líbano durante os dez dias.
Conversa entre Líbano e Israel
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, “vai conversar” com o presidente do Líbano, Joseph Aoun, declarou nesta quinta-feira (16) a ministra israelense da Inovação, Gila Gamliel, à rádio militar.
“O primeiro-ministro vai conversar pela primeira vez com o presidente do Líbano após tantos anos de ruptura total do diálogo entre os dois países. Esperamos que a iniciativa conduza finalmente à prosperidade e ao desenvolvimento do Líbano como Estado”, declarou Gamliel, sem revelar a data, nem como acontecerá a conversa.
Na terça-feira (14), os Estados Unidos haviam afirmado que Israel e Líbano concordam com negociações diretas após reunião em Washington. “Essas negociações não ocorrem há mais de 40 anos. Elas estão acontecendo agora porque somos muito fortes, e os países estão vindo até nós — não apenas o Líbano”, disse Netanyahu.
Na quarta-feira (15), o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o principal objetivo da negociação com o Líbano é garantir o “desmantelamento” do movimento islamista Hezbollah.“Nas negociações com o Líbano há dois objetivos fundamentais: em primeiro lugar, o desmantelamento do Hezbollah; em segundo lugar, uma paz sustentável (…) alcançada por meio da força”, declarou o primeiro-ministro depois que os dois países realizaram as primeiras conversas diretas em décadas.
Fonte: Jovem Pan