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Gilmar Mendes morde isca e impulsiona estratégia eleitoral de Zema ao rebater críticas contra o STF

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Gilmar Mendes morde isca e impulsiona estratégia eleitoral de Zema ao rebater críticas contra o STF A reação do ministro Gilmar Mendes às declarações do governador Romeu Zema acabou tendo um efeito colateral no cenário eleitoral de 2026. Ao defender o Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro terminou atuando como peça indireta da estratégia de comunicação do governador mineiro para as eleições de 2026.

A leitura é que, ao reagir de forma dura, Gilmar reforçou a estratégia de Zema de se posicionar como alvo do sistema — um ativo político relevante no atual cenário, já que ele tem cerca de 3% das intenções de votos.

O ponto central está na forma como o embate foi conduzido. Ao criticar o modo de falar de Zema, dizendo que ele fala algo próximo do português, Gilmar abriu espaço para um tipo de narrativa que costuma gerar identificação com o eleitorado mais amplo. A leitura é que esse tipo de reação reforça a imagem de um político que se posiciona contra o sistema e se conecta com o cidadão comum.

Críticas à forma de expressão — especialmente quando associadas à norma culta — tendem a produzir o efeito oposto ao pretendido.

LEIA MAIS Gilmar Mendes pede a Moraes que Zema seja incluído no inquérito das fake news Romeu Zema diz que não foi notificado sobre pedido para que seja incluído no inquérito das fake news Assista à entrevista de Gilmar Mendes no Jornal da Globo A lógica é conhecida na política brasileira. Quando figuras públicas são alvo de deboche por sua linguagem ou a maneira com a qual falam, isso frequentemente amplia a identificação com parcelas do eleitorado que não se veem representadas em padrões formais de comunicação.

Esse fenômeno já foi observado em outros momentos. A crítica à forma de falar de lideranças políticas, em vez de enfraquecê-las, pode reforçar a percepção de proximidade com o eleitor comum.

No caso de Lula (PT), críticas recorrentes à forma como se expressa — como o uso de construções consideradas fora da norma padrão — foram, ao longo dos anos, interpretadas por parte do eleitorado como sinal de autenticidade e proximidade.

Situação semelhante ocorreu com Jair Bolsonaro (PL). Quando foi alvo de deboche ao tentar falar inglês em público, o episódio acabou gerando identificação com eleitores que também não dominam o idioma.

A avaliação é que esse movimento não é casual. Há uma estratégia em curso para posicionar Zema como um representante do “cidadão comum” e contra o sistema.

Essa linha de comunicação vem sendo estruturada para explorar o sentimento de distanciamento entre parte da população e o sistema político e institucional.

Nesse contexto, a reação de Gilmar Mendes teria ampliado a visibilidade dessa narrativa — e, mais do que isso, ajudado a validá-la.

O episódio também evidencia uma mudança no ambiente político. Temas relacionados ao STF passaram a ocupar espaço relevante no debate eleitoral, algo que não era comum em ciclos anteriores.

Ministros da Corte, tradicionalmente associados à defesa institucional, agora se veem inseridos em disputas que têm impacto direto na dinâmica política.

A avaliação é que Gilmar, ao não ajustar o tom a esse novo cenário, o Supremo acaba permanecendo no centro das críticas — e, em alguns casos, contribuindo para ampliar esse foco.

Gilmar Mendes Antonio Augusto/STF Mudança de chave política Houve uma mudança de chave no país. O embate com o Supremo, antes pouco relevante eleitoralmente, passou a ser explorado como ativo político.

Nesse ambiente, cada declaração institucional pode ter repercussão direta na disputa eleitoral.

Ao entrar nesse debate, mesmo com o objetivo de defender a Corte, Gilmar Mendes acabou reforçando uma estratégia que beneficia Zema.

A campanha de Zema aposta na linguagem simples, comunicação direta e posicionamento contra instituições vistas como distantes da população.

Nesse contexto, cada reação do Supremo — especialmente quando ganha tom político — ajuda a alimentar essa narrativa.

Efeito nas redes e nas pesquisas

Outro ponto observado é o impacto digital. A estratégia associada a Zema tem gerado crescimento acelerado nas redes sociais, com aumento expressivo de seguidores.

Esse movimento é interpretado como parte de uma campanha estruturada, baseada na contraposição entre linguagem simples e discurso institucional.

No cenário eleitoral, isso ganha ainda mais relevância. Zema, que aparecia com desempenho abaixo do esperado nas pesquisas, passa a ganhar tração ao ocupar esse espaço de confronto.


Fonte:

g1 > Política