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Reação de ministro Gilmar turbina Zema e impulsiona engajamento da pauta anti-Supremo

Ministros do Supremo Tribunal Federal avaliam, nos bastidores, que a reação recente da Corte “vitaminou” a candidatura de Romeu Zema, além de recolocar o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) no centro da pauta eleitoral.
Na leitura de integrantes da Corte, havia uma janela, no episódio envolvendo o senador Alessandro Vieira (que pediu o indiciamento de ministros do Supremo) para tentar diminuir a pressão interna no STF. Mas isso não aconteceu. Pelo contrário: decisões e movimentos internos acabaram reintroduzindo o STF no debate.
O primeiro ponto citado é a reação de ministros que passaram a falar em cassação de Vieira após o pedido de investigação, com destaque para Dias Toffoli. Para interlocutores, esse movimento elevou a temperatura e deu novo fôlego ao embate político.
O segundo fator foi o pedido do ministro Gilmar Mendes ao também ministro Alexandre de Moraes para incluir o governador Romeu Zema no inquérito das fake news. No pedido, Gilmar argumenta ter tomado conhecimento do vídeo em 5 de março e menciona que o conteúdo “vilipendia” não apenas a honra e a imagem do Supremo como a dele também.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Na avaliação de ministros ouvidos, a medida ampliou ainda mais a exposição e fortaleceu o discurso político de enfrentamento ao Supremo.
Há preocupação crescente dentro da Corte com o impacto eleitoral desse tipo de embate. A leitura é que tudo o que envolve o STF gera alto engajamento nas redes e acaba sendo apropriado por campanhas. “O sistema vira o Supremo e quem se coloca como anti-Supremo ganha voto”, resume um interlocutor.
O exemplo mais citado é o próprio Zema: aliados do governador apontam crescimento recente nas redes sociais e tratam o episódio como ganho político. Nos bastidores, a avaliação é que o “estrago já foi feito” e que, mesmo com eventual recuo, ainda é incerto o efeito disso no cenário eleitoral.
Para ministros, o risco agora é de que o Supremo siga sendo usado como pauta permanente de campanha — o que amplia a crise e prolonga o desgaste da imagem da Corte.
Segundo o blog apurou, o pano de fundo da dianteira assumida pelo ministro Mendes na defesa da corte é queixa recorrente de grupo da corte de que Fachin não assume a liderança e não se posiciona sobre o que chamam de ataques ao STF.
Havia uma expectativa de bastidor de que Mendes pudesse rever o pedido de inclusão de Zema no inquérito das fakenews, mas até o momento, a apuração do blog é de que não há previsão desse movimento.
Diferentemente do embate público, Gilmar Mendes não pretende mais falar de Zema publicamente.
O ministro reconheceu que errou ao associar a homossexualidade a uma acusação envolvendo Romeu Zema, em entrevista concedida ao Metrópoles nesta quinta-feira (23). Ao comentar a inclusão do ex-governador de Minas Gerais no inquérito das fake news, ele recorreu a um exemplo que considerou inadequado, mencionando algo que, em sua avaliação, Zema não aceitaria ser associado.
“Imagine que começássemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Isso não seria ofensivo?”, disse durante a entrevista. Posteriormente, nas redes sociais, o ministro pediu desculpas pela declaração.
“Errei quando citei a homossexualidade ao me referir ao que seria uma acusação injuriosa contra o ex-governador Romeu Zema”, disse Gilmar Mendes. “Desculpo-me pelo erro. E reitero o que está certo”, concluiu.
O episódio está relacionado a um vídeo publicado por Zema em março, no qual o político critica o Supremo Tribunal Federal e os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli no contexto do caso Master. Na gravação, os magistrados são retratados como fantoches.
De acordo com interlocutores do Supremo, Alexandre de Moraes encaminhou o caso para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, na segunda-feira (20), Zema afirmou que ainda não havia sido notificado sobre o pedido de inclusão no inquérito.
O objetivo de Zema é se consolidar como um outsider legítimo, com baixa rejeição — esse é o eixo central da sua estratégia de campanha.
A ideia é explorar o sentimento de “fora do sistema”, mas se diferenciando daqueles que adotaram esse discurso nos últimos anos.
Ao contrário de João Doria, Wilson Witzel, Alexandre Kalil, Marcelo Crivella e Jair Bolsonaro, ele concluiu seu mandato e ainda foi reeleito — o que reforça uma narrativa de continuidade e validação nas urnas.
Ministro Gilmar Mendes e Romeu Zema
Rosinei Coutinho/SCO/STF e Reprodução/TV Globo


Fonte:

g1 > Política

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