A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta segunda-feira (27), a Operação Contaminatio, que investiga um esquema de infiltração criminosa em prefeituras do ABC Paulista e da Baixada Santista para lavagem de dinheiro do tráfico de drogas. Ao todo, seis pessoas foram presas durante a ação de hoje.
Além das prisões, foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão em diversas cidades do estado de São Paulo, incluindo capital, Guarulhos, Santo André, Mairinque, Campinas, Ribeirão Preto e Santos. A operação também se estendeu para outros estados, com diligências em Goinânia e Aparecida de Goiânia (GO), Brasília (DF) e Londrina (PR).
As investigações são um desdobramento da Operação Decurio, realizada em agosto de 2024, quando foram apreendidos dispositivos eletrônicos que revelaram um complexo sistema de movimentação financeira ilícita. A partir da análise desse material e de dados de inteligência financeira, os policiais identificaram novas conexões com servidores públicos dentro de prefeituras, que facilitavam o esquema de lavagem de dinheiro.
Segundo as apurações, uma plataforma digital de pagamentos era utilizada para a geração de boletos e recolhimento de taxas municipais, permitindo que o grupo criminoso obtivesse recursos aparentemente lícitos e ocultasse valores provenientes do tráfico.
Em 2024, João Gabriel de Melo Yamawaki, apontado como dono da Fintech envolvida no esquema, já havia sido preso. Com base na evolução das investigações, a nova fase da operação foi deflagrada nesta segunda-feira.
Os policiais também identificaram a atuação de Adair Antônio de Freitas Meira, lobista conhecido no meio político, que teria atuado no financiamento de campanhas eleitorais para tentar eleger candidatos nas eleições de 2024, com o objetivo de favorecer os interesses do grupo criminoso. Ele já foi alvo do Ministério Público de Goiás num esquema de desvio de recursos da Universidade Federal do estado de R$ 10 milhões.
Além dele, foi preso Thiago Rocha de Paula, ex-vereador de Santo André (SP). De acordo com as investigações e apurações da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (DISE), ele também atuava como articulador no esquema de lavagem de dinheiro.
De acordo com o delegado responsável pelo caso, Fabrício Intelizano, a operação resultou no bloqueio de R$ 513 milhões em bens e ativos ligados aos investigados. Há indícios de que o esquema possa ter conexões com pessoas do alto escalão que exerceram cargos no governo federal.
A coluna não conseguiu contato com as pessoas presas pela polícia e citadas nesta publicação. Por isso o espaço segue aberto para manifestação e atualização.
A Polícia Civil informou que, com base nas apreensões realizadas e nas prisões efetuadas nesta fase, as investigações devem avançar para identificar outros envolvidos e ampliar o alcance do esquema criminoso.
Fonte: Jovem Pan