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A indústria da nostalgia

É cada vez mais difícil dar conta do mundo como ele se apresenta. Para além dos conflitos políticos internacionais e crise generalizada na economia, somos inundados por dilemas pessoais causados, especialmente, pelo excesso de informação. Ficamos com medo de sermos substituídos por máquinas, criamos metas irreais e nos comparamos com pessoas que nem sequer existem.
Diante de tudo isso, a busca se volta para um lugar de conforto e conhecido, não no espaço, mas na memória. A infância, para boa parte das pessoas, é o lugar emocional de conforto – quando as preocupações da vida adulta ainda não existiam e o repertório ainda era raso e, portanto, disponível para receber novas informações.
A “indústria da nostalgia” é o termo utilizado para definir o sistema em que modelos de negócios do cinema, moda, música e games que partem memórias afetivas, produtos e estéticas do passado para engajar consumidores atuais.
Modelos esses que crescem cada vez mais. Pense em quantos remakes de filmes da Disney foram feitos nos últimos anos, quantas turnês de reencontro foram anunciadas e quantos novos produtos com estéticas que remetem a épocas passadas foram lançados.

Na moda, temos visto uma série de lançamentos que remetem à infância. Do universo lúdico com cogumelos gigantes criados para o desfile de alta-costura da Chanel neste ano à coleção temática de Hannah Montana na Zara.
Gamificação nos sites e apps de compra, coleções com itens colecionáveis, unboxings divertidos… as variações do brincar na moda – e no consumo, de forma geral – são infinitas e também estão no processo de compra, não apenas nos produtos em si.
Mercadologicamente, essa lógica faz sentido, mas no âmbito pessoal, a discussão é mais profunda. Podemos nos entreter por alguns meses ou anos com produtos e novidades, mas a fuga para a infância talvez reflita uma necessidade de cuidado com a saúde mental na vida adulta. Será que os próximos lançamentos vão dar conta de uma demanda tão grande quanto essa?


Fonte: Jovem Pan

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