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Governo lança ‘Desenrola 2.0’: programa prevê renegociação de dívidas e uso do FGTS

Lançamento do novo Desenrola Brasil
O governo anunciou nesta segunda-feira (4) o “Novo Desenrola Brasil” também chamado de “Desenrola 2.0”, um pacote de medidas para reduzir o endividamento da população brasileira — que está em níveis historicamente elevados.
O programa prevê a renegociação de dívida, com descontos, e troca por uma dívida mais barata, tendo como público-alvo os brasileiros que ganham até cinco salários-mínimos, ou seja, R$ 8.105.
“Estamos falando de mais de 90% da população. Estamos falando da classe média. Se incluir mais gente, vai colocar pouca gente a mais com dívidas muito grandes”, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Segundo ele, a expectativa é de que sejam renegociados até R$ 58 bilhões em dívidas antigas e novas.
Além disso, o trabalhador também poderá usar recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para quitar suas dívidas.
Pelas regras, será possível usar até 20% do saldo disponível do FGTS, ou até R$ 1 mil (o que for maior), para pagar débitos.
A estimativa é de que sejam liberados até R$ 8,2 bilhões aos trabalhadores (leia mais abaixo).
A medida provisória (MP) do programa foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta manhã, com previsão de publicação ainda nesta segunda em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).
LEIA MAIS: ‘Desenrola 2.0’: dívidas de até R$ 100 serão desnegativadas pelos bancos
Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o programa foi dividido em quatro categoriais voltadas para:
famílias (estimado em 20 milhões de pessoas)
Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) (estimado em 1,5 milhão de pessoas)
empresas
agricultores rurais (estimado em 800 mil pessoas)
“Desenrola família é a principal linha, com simplificação. Quem tem renda até cinco salários mínimos, vai ter acesso franqueado. Seja do cartão de crédito, cheque especial, credito pessoal, procure seu banco”, afirmou o ministro.
💰 Para garantir que os recursos serão mesmo usados para quitar dívidas, a Caixa deverá transferir o dinheiro do FGTS direto para o banco em que o trabalhador tem débitos.
Será possível negociar dívidas do cartão de crédito, cheque especial, rotativo, crédito pessoal e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), adiantou, na última semana, o presidente Lula.
➡️Os juros serão de, no máximo, 1,99% ao mês, com descontos de 30% a 90% no valor principal da dívida. Os descontos variarão de acordo com a linha de crédito e com o prazo. Será disponibilizada uma calculadora para os trabalhadores saberem o desconto.
Descontos do Novo Desenrola
Apresentação do Ministério da Fazenda
Fontes de recurso
O governo pretende usar um fundo com recursos públicos para oferecer garantias às instituições financeiras, ou seja, o dinheiro da União vai cobrir eventual calote dos tomadores de crédito.
Para formar esse fundo, o governo buscará de R$ 5 bilhões a R$ 8 bilhões em recursos esquecidos pelos trabalhadores nos bancos.
Também será realizado um novo aporte de até R$ 5 bilhões pelo governo.
Também ficou definido que quem renegociar a dívida dentro do programa ficará impedido de fazer apostas em jogos online por um ano.
“É maravilhoso que a gente queira comprar alguma coisa, mas é importante que façam suas dividas mas não percam de vista suas condições de pagamento”, afirmou Lula durante coletiva.
“Estamos  tentando corrigir, e já fizemos outras vezes. Esse país vem se endividando há muito tempo, a Covid também fez as pessoas se endividarem por necessidade mesmo. Estamos tentando uma fórmula de tirar a corda do pescoço dessa gente, para respirar normal, voltar a sonhar, e ter o nome limpo na praça”, prosseguiu o presidente.
Lula assina medida provisória do Desenrola 2.0.
Ricardo Stuckert/ Presidência da República
Endividamento em alta
Dados do Banco Central (BC) mostram que o nível de endividamento está elevado, do ponto de vista histórico.
Em um ano marcado por eleições, o governo atua para reduzir o comprometimento de renda dos trabalhadores com empréstimos.
“O comprometimento da renda com pagamentos de operações de crédito, mais sensível aos movimentos nas taxas de juros e à maior expansão do crédito emergencial, tipicamente com taxas mais elevadas, alcançou nível recorde no quarto trimestre [de 2025]”, informou a instituição, em março.
Em março, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, avaliou que quatro choques econômicos impulsionaram a inflação nos últimos anos, corroendo a renda dos trabalhadores: Covid, guerra na Ucrânia, guerra tarifária dos Estados Unidos e agora o conflito no Oriente Médio.
Por conta disso, apesar dos juros altos, os preços relativos subiram nos últimos anos. Desse modo, explicou ele, houve um impacto na renda do trabalhador brasileiro, que buscou complementá-la com financiamentos junto aos bancos.
O presidente do Banco Central afirmou, naquele momento, que é preciso que os trabalhadores busquem linhas de crédito mais compatíveis com renda, não usando o crédito rotativo como complemento de renda — pois essa linha de crédito tem taxas “punitivas”.
Estudo mostra que primeira edição do Desenrola reduziu inadimplência das famílias de baixa renda de forma relevante, mas efeito se dissipou após 18 meses
Ministério da Fazenda
Primeiro Desenrola, de 2024
No primeiro programa Desenrola, anunciado em 2023 e que durou até maio de 2024, foram renegociados R$ 53,2 bilhões em empréstimos de 15 milhões de pessoas, o que contribuiu para reduzir a inadimplência naquele período.
O programa começou com os principais bancos retirando 10 milhões de registros de dívidas de até R$ 100 dos cadastros de inadimplentes, somando cerca de R$ 1 bilhão em débitos.
Também foram feitas negociações das dívidas diretamente pelos bancos credores (Faixa 2 do Desenrola) com pessoas com renda mensal de até R$ 20 mil.
Essa faixa terminou no fim de dezembro de 2023 e englobou três milhões de pessoas com a negociação de R$ 25,7 bilhões em débitos.
No site do programa, a média de descontos foi de 90% para pagamentos à vista e de cerca de 85% nos pagamentos parcelados.
O ticket médio foi de R$ 250 nas operações à vista; e de R$ 1.031 nas renegociações parceladas.


Fonte:

g1 > Política

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