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Duelo contra a Holanda é um dos mais lembrados da campanha do tetra, em 1994

Depois de 20 anos da derrota para a Holanda, que tirou o Brasil da final da Copa de 1974, a seleção nacional deu o troco. As duas equipes fizeram um dos melhores duelos do mundial disputado nos Estados Unidos, em Dallas, no Texas. A novidade na equipe comandada por Carlos Alberto Parreira era o lateral esquerdo Branco. O jogador se recuperava de problemas físicos e substituiu Leonardo, expulso na partida anterior contra os Estados Unidos. 
O confronto começou faltoso e com os dois times se estudando com excesso de cautela. Havia uma marcação muito forte, mas os brasileiros conseguiam tocar melhor a bola. A primeira oportunidade do jogo foi da seleção nacional, em uma cobrança de falta de Branco. Em meio à lentidão do meio de campo, Romário buscava a bola na intermediária. Ele era marcado de forma implacável por Valckx: os dois tinham defendido o PSV, da Holanda.
Depois de um primeiro tempo equilibrado, a etapa final foi memorável. Aos oito minutos, contra-ataque fulminante do Brasil e as redes finalmente balançaram no Cotton Bowl. Aldair fez uma antecipação perfeita no campo de defesa e lançou Bebeto na esquerda, de forma magistral. O camisa sete avançou e rolou a bola a meia altura para Romário pegar um “sem-pulo” perfeito. Golaço! Bebeto devolveu ao “Baixinho” o passe para o gol diante dos Estados Unidos. 
Aos 18 minutos, a seleção brasileira ampliou o placar em um lance que gerou reclamações dos adversários. De Goej repôs a bola e Branco cabeceou para a intermediária holandesa. Romário “se fez de morto”, pois estava adiantado, e os zagueiros ficaram parados, achando que a jogada não valeria. Enquanto isso, Bebeto não perdeu tempo, partiu sozinho para a área, driblou o goleiro e chutou para o fundo das redes. Ele, Romário e Mazinho comemoraram mais um gol “embala nenê” na Copa. Dessa vez, foi uma homenagem a Mattheus, filho do camisa 7 do Brasil. “Só tive o trabalho de driblar o goleiro e tocar para o gol”, relembrou Bebeto depois da partida.
Com a vantagem no placar, a seleção brasileira se desconcentrou e sofreu o empate com gols de Bergkamp e Winter. O lance decisivo da partida veio aos 36 minutos. Branco, experiente, passou por Overmars e, na sequência, foi derrubado por dois jogadores: Winter e Jonk. O camisa 6 ajeitou a bola, tomou distância e mandou um petardo. Romário se afastou da trajetória da bola que entrou como um foguete no canto esquerdo de De Goej: 3 a 2. Visivelmente emocionado, o lateral brasileiro foi abraçar o médico Lídio Toledo no banco de reservas. 
Aquela partida representou uma vitória pessoal de Zagallo, como conta o ex-goleiro reserva Gilmar Rinaldi: “Não sei como, o Zagallo conseguiu uma camisa da Holanda e a bola do jogo. Ele entrou no vestiário totalmente transtornado. Acho que foi a vez que eu o vi mais transtornado. Jogou a camisa no chão, ele pulava e falava: ‘nós nos vingamos’. Porque aquele jogo de 1974, quando a Holanda eliminou o Brasil, ele ainda não tinha engolido [o resultado]”. Zagallo era o treinador da seleção que perdeu para a Holanda em 1974. 
A vitória em Dallas garantiu a classificação para a semifinal diante da Suécia. O gol de Romário levou o Brasil à decisão contra a Itália, jogo resolvido apenas na disputa por pênaltis e que garantiu o tetra e o fim de uma fila de 24 anos. 
BRASIL 3 × 2 HOLANDA – Dallas – 09.07.1994
Brasil: Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Branco (Cafu); Mauro Silva, Dunga, Mazinho (Raí) e Zinho; Bebeto e Romário.
Técnico: Carlos Alberto Parreira.
Holanda: De Goej; Winter, Koeman, Valckx e Wouters; Witschge, Rijkaard (Ronald de Boer) e Jonk; Overmars, Bergkamp e Peter van Vossen (Roy).
Técnico: Dick Advocaat.
Árbitro: Rodrigo Badilla (Costa Rica).
Gols: Romário (8), Bebeto (18), Bergkamp (19), Winter (31) e Branco (36) na etapa final.
Público: 94.140.
Ouça a íntegra da partida contra a Holanda na transmissão de José Carlos Araújo da Rádio Globo. 


Fonte: Jovem Pan

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