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As fast-fashions não são mais as mesmas

No dia em que escrevo este texto, acordei ansiosa por um único motivo: o lançamento da coleção de Stella McCartney, estilista e nepo baby, com a H&M, fast-fashion sueca que desembarcou no Brasil em agosto do ano passado. 
A colaboração entre a marca e a filha de Paul McCartney foi feita, pela primeira vez, há mais de 20 anos e voltou agora, em um momento estratégico das fast-fashions – nome dado a modelos de negócios de produção de roupas em massa rapidamente. 
Nos últimos anos, vimos lojas nesses moldes ascenderem no Brasil. Do crescimento da popularidade da Zara à chegada, mais recentemente, da H&M e da Bershka, em março deste ano. Sem contar nas já estabelecidas C&A, Renner, Riachuelo… aquelas que se acomodaram por aqui por pouco tempo, como a Forever 21.
Vindo da alta-costura, John Galliano firmou parceria com a Zara | Foto: divulgação
Com tanta concorrência iminente, a estratégia de replicar as tendências das passarelas a um preço acessível já não funciona mais. É preciso criar coleções exclusivas, investir na qualidade de materiais e transformar a experiência do cliente. 
Foi nesse movimento que a espanhola Zara chamou John Galliano, nome da alta-costura, para desenvolver coleções periódicas. A C&A estreou uma linha fashionista, com direito a editoriais conceituais de moda. 
O que mais me impressionou na coleção Stella McCartney + H&M não foram as peças em si, mas a velocidade que elas esgotaram mesmo a preços exorbitantes. Nunca imaginei que um blazer de R$ 1500 de uma loja “popular” seria tão disputado. 
Linha Mindset, da C&A, tem editoriais nos moldes das marcas de luxo │Reprodução/Instagram
Talvez o maior triunfo das fast-fashion hoje não seja mais democratizar tendências, mas vender a sensação de exclusividade. Nessa lógica, o desejo e a urgência valem mais do que o preço. A pergunta que fica é: o que realmente diferencia o luxo do varejo popular agora?


Fonte: Jovem Pan

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