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PL e PT intensificam negociações para tentar definir candidatos em MG, estado-chave na disputa presidencial

Minas Gerais é o segundo estado em número de eleitores e tem peso decisivo na disputa presidencial. A cinco meses da eleição, o cenário em MG continua indefinido.
De um lado, o PL ainda não decidiu quem representará a candidatuta do senador Flávio Bolsonaro no estado. Enquanto isso, aliados do presidente Lula (PT) tentam convencer o senador Rodrigo Pacheco (PSD) a disputar a eleição. Nos próximos dias, os partidos pretendem intensificar as negociações para destravar a formação dos palanques.
O líder nas pesquisas é o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que ainda não decidiu se será mesmo candidato. Embora se posicione como independente, o parlamentar é um apoiador de Jair Bolsonaro e frequentemente diz ser grato ao ex-presidente pelo apoio que recebeu em 2022, quando foi eleito.
O PL deve ter uma reunião-chave nesta terça-feira (12) em Brasília, em que Flávio Bolsonaro discutirá os cenários possíveis com Valdemar Costa Neto, presidente do partido, os deputados mineiros Nikolas Ferreira, Zé Vitor e Domingos Sávio, e o senador Rogério Marinho (RN), líder da oposição no Senado e coordenador da campanha de Flávio.
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O partido trabalha com três possibilidades, segundo Sávio. Uma delas é firmar uma aliança com o atual governador, Mateus Simões (PSD), num acordo em que Romeu Zema (Novo), que renunciou ao mandato para disputar o Planalto, abandonaria seus planos para apoiar Flávio. O nome de Zema já foi cotado como candidato a vice, mas ele nega essa possibilidade em declarações públicas.
Outro caminho seria uma candidatura própria do PL com Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), ou Vittorio Medioli, ex-prefeito de Betim.
Roscoe afirmou ao g1 que seu nome está à disposição, mas que não participa das reuniões da sigla. O empresário se licenciou do cargo na FIEMG em abril deste ano, quando se filiou ao PL.
O que pesa contra Roscoe é seu desempenho nas pesquisas. No levantamento mais recente da Quaest, em abril, ele apareceu com 2% das intenções de voto no cenário com dez pré-candidatos.
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Já Cleitinho promete anunciar em julho se sairá candidato ou não. Congressistas do PL ouvidos pela reportagem consideram arriscado esperar porque o prazo ficará muito em cima das convenções, quando as candidaturas devem ser aprovadas pelos partidos.
Senadores Cleitinho, líder nas pesquisas em MG, e Rodrigo Pacheco, que tem o apoio de Lula para disputar eleição
Jefferson Rudy/Agência Senado; Carlos Moura/Agência Senado
Não há consenso no PL sobre os nomes cotados. Nikolas Ferreira é contrário à escolha de Cleitinho e considera que o senador não adota posições alinhadas à legenda.
Integrantes do Centrão avaliam, porém, que o mal-estar pode estar relacionado a uma disputa interna. Isso porque, caso Cleitinho vire governador, poderia disputar a reeleição em 2030 e entrar no caminho de Nikolas, se ele também quiser tentar o cargo.
Nikolas foi o deputado mais votado do Brasil em 2022 e tem forte presença nas redes, assim como Cleitinho. Sua base é bem maior — 22 milhões de seguidores no Instagram, contra 4,2 milhões de Cleitinho —, mas esse é considerado mais um fator que poderia alimentar a rivalidade entre eles.
PT e Lula apostam fichas em Rodrigo Pacheco
Em abril, ao deixar o PSD para se filiar ao PSB, o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco visava disputar o governo de MG em uma articulação que contou com a bênção de Lula. O petista avalia que o senador pode ser um nome competitivo no estado, considerado crucial para sua reeleição.
Mas, na semana passada, segundo apurações do blog do Camarotti, Pacheco enviou a Lula sinais de que poderia desistir. Após o Senado rejeitar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF), parte do PT passou a desconfiar de que Pacheco teria atuado contra o indicado de Lula.
O senador declarou publicamente apoio a Messias, mas isso não foi suficiente para dissipar o clima de desconfiança, o que pode tê-lo desestimulado a disputar o Palácio da Liberdade, segundo lideranças petistas.
Pacheco é próximo do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), que se opôs ao nome de Messias e trabalhava pela indicação do proír aliado ao STF. Ambos estavam presentes no jantar realizado na véspera da sabatina que terminou com a derrota do AGU.
Como mostrou o colunista Valdo Cruz, Pacheco colocou o fim de maio como prazo para anunciar se disputará ou não o governo de MG. Porém, a demora em comunicar sua decisão tem ampliado as especulações.
Quaest: Intenções de voto no 1º turno para o governo de Minas Gerais – Cenário 1 (abril 2026)
Foto: Arte/g1
O deputado mineiro Rogério Correia, vice-líder do governo na Câmara, afirma esperar que o colega de Parlamento confirme a candidatura. “Não ficou nenhum clima em relação à derrota do Messias. Falei com ele [Pacheco] nos últimos dias. Ele me disse que apoiou a indicação, e eu confio. Também agradeceu pela paciência em relação ao anúncio da candidatura”, afirmou.
Segundo Correia, o senador teria dito que ainda não decidiu seu futuro político por questões familiares e partidárias. O deputado diz que todo o diretório estadual do PT em Minas apoia a pré-candidatura de Pacheco.
O presidente do PT, Edinho Silva, deve conversar com Pacheco para entender os planos e as condições colocadas pelo senador.
Como plano B, o partido mantém diálogo com outros dois nomes: o empresário Josué Gomes, filho do ex-vice-presidente José Alencar, e Alexandre Kalil (PDT), ex-prefeito de Belo Horizonte.
Gomes é o favorito de Edinho Silva, e Kalil aparece em segundo lugar na pesquisa Quaest, com 14%, atrás de Cleitinho. Alguns petistas defendem que o ex-prefeito dispute uma vaga no Senado. Em 2022, Kalil concorreu ao governo do estado pelo PSD com apoio de Lula e perdeu para Zema ainda no primeiro turno.
O ex-prefeito já disse que será candidato ao governo de MG independentemente do partido e das alianças firmadas. Ele também negou os rumores de que gostaria de manter distância do PT e de Lula.
O ex-prefeito afirma já ter conversado com oito partidos sobre sua candidatura, entre eles PT, PSDB, Rede e PSOL. Para ele, não há diferença entre as siglas. “Me sinto honrado por poder dialogar com todos.”
“A única certeza é que serei candidato ao governo de Minas. Claro que os números me elegeriam senador, mas eu não vou porque não consigo ficar uma semana inteira sem meus netos. Não vou ficar pegando avião para ir para Brasília. A não ser que meus filhos queiram me dar eles, e eles não querem”, disse Kalil.
A importância de Minas Gerais
Desde 1989, todos os presidentes eleitos venceram em MG. Em 2022, com 16 milhões de votos em disputa no estado, Lula (PT) superou Jair Bolsonaro (PL) por menos de 50 mil, com 50,2% contra 49,8%.
O cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), explica que Minas Gerais é o “swing state” brasileiro. O termo é usado nos Estados Unidos usado para se referir a estados considerados eleitoralmente indefinidos, sem preferência consolidada pelo Partido Democrata ou pelo Partido Republicano, de Donald Trump.
“Com a direita dividida e a esquerda sem um palanque competitivo, o quadro eleitoral está completamente aberto. Desde 1989, todos os presidentes eleitos venceram em território mineiro”, afirma.


Fonte:

g1 > Política

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