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Documentário sobre Bolsonaro estreia com sessões vazias, exalta ex-presidente, ignora Michelle e omite derrota e tentativa de golpe

3 minutos de leitura

Pôster oficial do filme ‘A colisão dos destinos’.

Divulgação

O documentário “A Colisão dos Destinos”, sobre a vida e trajetória de Jair Bolsonaro, estreou nesta quinta (14). O longa de 70 minutos é o primeiro dirigido por Doriel Francisco, da produtora Dori Filmes, e conta com produção do ex-secretário de Cultura Mario Frias.

O roteiro é assinado por Doriel Francisco e William Alves. Nos créditos, consta que o argumento é de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e de Frias.

O lançamento ocorre em meio à repercussão das mensagens publicadas pelo site The Intercept Brasil, que expuseram diálogos entre o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), e o banqueiro Daniel Vorcaro. O filme mencionado nos áudios de Flávio seria “Dark Horse”, obra de ficção estrelando o ator Jim Caviezel, e não teria relação com “A Colisão dos Destinos”.

O g1 entrou em contato com a Dori Filmes e com o diretor para obter detalhes sobre o financiamento e a distribuição da obra, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

Veja, abaixo, como foi a estreia do documentário e como é o filme: Sessões vazias De acordo com o site oficial da produção, “A Colisão dos Destinos” foi lançado no Distrito Federal e em estados de todas as regiões do país, incluindo potências eleitorais como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, além de estados do Nordeste como Bahia, Pernambuco e Ceará.

O filme teve pré-estreia para convidados em Brasília, São Paulo, Recife, Curitiba e Fortaleza.

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O g1 foi à sessão de estreia em Embu das Artes (SP), a mais próxima da capital de São Paulo, que contava com sete pessoas. Uma hora antes das sessões, outras salas no interior de SP tinham, em média, 5 a 6 ingressos vendidos, segundo o site do Grupo Cine.

Duas horas antes, sessão de ‘A Colisão dos Destinos’ em Embu das Artes (SP) tinha quatro ingressos vendidos Reprodução Como é o filme Nas peças de divulgação, a obra promete mostrar uma “versão humanizada” e a “história não contada” de Jair Bolsonaro, com depoimentos do próprio ex-presidente, bem como irmãos, filhos, assessores e parlamentares próximos (Mario Frias, Nikolas Ferreira, Hélio Lopes e Gil Diniz).

A esposa do ex-presidente, Michelle Bolsonaro, não aparece entre os entrevistados.

Na prática, o filme reconta a história de Bolsonaro, da infância e adolescência à presidência, passando pela carreira militar. Não há citações do noticiário ou dados sobre os principais eventos durante a administração Bolsonaro.

Ao falar sobre o período em que Jair Bolsonaro foi presidente, o documentário foca em depoimentos de parlamentares aliados, como os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Hélio Lopes (PL-RJ). Lopes afirma que o ex-presidente “não errou uma” durante a pandemia.

Depois disso, o filme “volta no tempo” e retrata a facada que Bolsonaro sofreu em 2018, durante um comício em Juiz de Fora (MG). A família conta como foi a hospitalização e recuperação do ex-presidente, afirmando que o ocorrido o deixou mais forte.

“Falo com tranquilidade: ele é um escolhido de Deus”, afirma Flávio Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro no documentário ‘A Colisão dos destinos’, sobre trajetória de Jair Bolsonaro, que estreia nesta quinta-feira (14).

Divulgação

O filme encerra com depoimentos dos irmãos e filhos de Jair Bolsonaro, declarando que o ex-presidente exerce uma missão divina.

A última cena, antes dos créditos, é uma montagem do ex-presidente sendo ovacionado por seus eleitores, falando em palanques e celebrando vitórias.

Em agosto de 2025, Doriel disse em post no Instagram que o filme estava finalizado, mas seria adiado devido aos “últimos acontecimentos”. Na época, Bolsonaro estava sendo julgado por tentativa de golpe.

Apesar disso, o filme omite a derrota nas urnas em 2022 e a condenação de Bolsonaro em 2025.


Fonte:

g1 > Política