A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (19) a 7ª fase da Operação Compliance Zero para investigar vazamento de dados sigilosos relacionados ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, que o conectam ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Segundo a PF, a ação, autorizada pelo ministro relator André Mendonça, apura o crime de violação de sigilo funcional.
A decisão atendeu a uma representação da própria Polícia Federal, que cumpriu dois mandados de busca e apreensão. Um perito é investigado, tendo sido suspenso do exercício de sua função pública por meio de medidas cautelares.
De acordo com a PF, o servidor repassou à imprensa informações restritas sobre fatos do início das investigações. Os dados foram obtidos a partir da análise de materiais apreendidos durante uma das fases da Compliance Zero.
A PF informou que a operação desta terça serve para recolher provas pendentes, preservar o andamento do caso e evitar novos vazamentos.
O texto da decisão ressalta que as medidas judiciais têm como alvo apenas o agente público suspeito de quebrar o dever funcional. A operação não possui direcionamento investigativo contra jornalistas ou empresas de comunicação.
“Nesse contexto, as medidas não implicam qualquer direcionamento investigativo contra jornalistas ou veículos de imprensa, permanecendo preservadas a liberdade de atuação jornalística e a garantia constitucional do sigilo da fonte”, diz a nota, divulgada pelo STF.
Moraes e Vorcaro
A operação da PF acontece após meses da divulgação da possível relação de Moraes com Vorcaro. Essa conexão se expande à esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes, que aparece como representante do Master em um processo que investiga o empresário Nelson Tanure por crimes contra o mercado de capitais.
O banco tinha um contrato de honorários no valor de R$ 129 milhões com o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, do qual Viviane faz parte.
Em relação ao ministro, o jornal O Globo revelou no início de março uma suposta troca de mensagem do ministro com Vorcaro, no dia em que o banqueiro foi preso em novembro de 2025.
No dia 6 do mesmo mês, o STF divulgou uma nota, afirmando que as análises técnicas realizadas nos dados telemáticos de Vorcaro, tornados públicos pela CPMI do INSS, não conferem com os contatos de Moraes nos arquivos apreendidos.
“No conteúdo extraído do celular do executivo pelos investigadores, os prints dessas mensagens enviadas por Vorcaro estão vinculadas a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes”, dizia a nota, acrescentando que “a mensagem e o respectivo contato estão na mesma pasta do computador de quem fez os prints (Vorcaro)”.
Com as análises realizados, segundo a nota do ministro, ficou “demonstrado que as mensagens (prints) estão vinculadas a outros contatos telefônicos no computador de Daniel Vorcaro, jamais ao Ministro Alexandre de Moraes”.
Suposta troca de mensagens
No dia 17 de novembro de 2025, horas antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez, o banqueiro e Alexandre de Moraes teriam trocado mensagens pelo WhatsApp.
De acordo com as informações, às 17h22, Vorcaro teria mandado para Moraes: “Conseguiu bloquear?”.
A conversa, no entanto, teria começado ainda pela manhã, às 7h19, quando Vorcaro escreveu para Moraes pelo WhatsApp. “Acho que o tema de que falamos começou a dar uma vazada, obviamente sem quaisquer detalhes. Mas a turma do BRB me disse que está tendo um movimento de sacanagem do caso. E que a mesma jornalista de antes estava fazendo perguntas lá”, teria escrito o banqueiro.
Entretanto, o conteúdo não aparece diretamente na tela do aplicativo porque o link da mensagem leva ao bloco de notas do celular do banqueiro.
A troca de mensagens perdurou até a noite, mas todas as respostas de Moraes teriam sido enviadas em formato de visualização única, o que não permite que sejam registradas.
Fonte: Jovem Pan