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Gangorra eleitoral: Lula e Flávio têm altos e baixos na semana com fim da escala 6×1 e decisão dos EUA sobre facções

A semana da política brasileira foi marcada por oscilações na agenda e na força dos pré-candidatos que figuram nas primeiras posições das pesquisas sobre as eleições presidenciais de 2026.
O senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deve tentar a reeleição, registraram reveses e avanços no debate público.
Flávio Bolsonaro iniciou a semana ainda tendo de lidar com o desgaste público gerado pela divulgação de conversas e de uma reunião que teve com o dono do Banco Master.
Em mensagens reveladas pelo portal Intercept Brasil, o senador apareceu cobrando de Vorcaro recursos para o financiamento de uma cinebiografia sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Ouça áudio enviado por Flávio Bolsonaro a Vorcaro em que ele chama banqueiro de ‘irmão’
Também foi revelada uma visita de Flávio a Vorcaro, quando o ex-banqueiro estava usando tornozeleira eletrônica após ser preso pela primeira vez por fraudes financeiras. Flávio nega irregularidades na relação com o dono do Master.
Ainda sob o desgaste causado por essas revelações, o senador viajou no domingo (24) aos Estados Unidos em busca de fatos novos e na esperança de uma agenda com o presidente Donald Trump.
O encontro aconteceu na terça-feira (26), na Casa Branca, em Washington. Após a reunião, Flávio publicou uma foto com presidente norte-americano e disse à imprensa que, entre outros temas, solicitou ao norte-americano a classificação das facções criminosas Primeiro Comando Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Flávio também se encontrou com auxiliares de Trump, entre eles o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Foi Rubio quem, na quinta-feira (28) à noite, afirmou que PCC e CV são “duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil” e anunciou a classificação, pelo governo dos EUA, dessas duas facções como terroristas.
Flávio e aliados correram para as redes sociais e para os microfones para atribuir a decisão dos EUA à articulação que o parlamentar do PL fez junto às autoridades norte-americanas. A medida, contudo, já estava em análise antes desse encontro do senador do PL com Trump.
Lula teve vitória em votação na Câmara
Em paralelo, o governo federal comemorou o avanço na Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada e possibilita o fim da escala de trabalho 6×1 no Brasil.
Na segunda-feira (25), enquanto Flávio buscava um encontro com Trump nos EUA, Lula se reunia com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e negociava a aprovação da PEC. No mesmo dia, o relator, Leo Prates (Republicanos-BA), apresentou parecer favorável à proposta.
Na quarta-feira (27), o texto foi aprovado pela Comissão Especial, por 34 votos a 4, e seguiu para o plenário principal da Câmara, onde foi apoiado por esmagadora maioria dos deputados em dois turnos: 472 votos a 22, no primeiro; e 461 a 19, no segundo turno.
Onze políticos do PL, de Flávio, votaram contra a PEC no primeiro turno. E 9 foram contra o texto na segunda votação.
Fim da escala 6×1: Câmara aprova duas folgas semanais e jornada de 40 horas
Minutos após a aprovação, Lula foi às redes sociais dizer que a PEC – de iniciativa de parlamentares de esquerda – era uma “conquista civilizatória”, agradecer a Motta e afirmar que trabalharia pela votação no Senado.
Mas o governo teve pouco tempo para comemorar. No dia seguinte, os Estados Unidos anunciaram a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas.
Esse movimento do governo americano era algo que Lula vinha tentando evitar por avaliar que a medida pode dar margem a interferências norte-americanas no Brasil e, consequentemente, ser um risco à soberania brasileira.
Soberania que o petista disse ter defendido na reunião de cerca de três horas que teve com Donald Trump na Casa Branca no dia 7 de maio.
EUA classificam PCC e CV como terroristas
Na sexta (29), Lula reagiu ao anúncio dos EUA, dizendo que os brasileiros não aceitam serem tratados como “moleques”. E atacou Flávio Bolsonaro, afirmando que o político do PL “não tem vergonha de trair a pátria e pedir intervenção” no Brasil.
Adversários de Lula, os outros nomes que se apresentam como pré-candidatos para o pleito de 2026 – Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) – celebraram a decisão dos EUA.
A semana dinâmica na política brasileira pode ter sido uma amostra de como será a campanha eleitoral de 2026, com candidaturas experimentando altos e baixos em um curtíssimo espaço de tempo, como se os políticos estivessem em uma gangorra ou em uma montanha-russa.
Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro
SEAUD/PR e Vittor Sales/Divulgação


Fonte:

g1 > Política

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