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Israel usa bomba de fósforo branco em áreas povoadas do Líbano, diz jornal

Israel utilizou bombas de fósforo branco em áreas povoadas no sul do Líbano durante operações contra o grupo Hezbollah, segundo o jornal The New York Times (NYT). O uso da substância, que possui alto poder de incêndio, foi registrado em cidades como Nabatieh e Tiro, além dos vilarejos de Qlayaa, Khiam e Yohmor.

De acordo com o jornal, registros mostram rastros de fumaça característicos dessa bomba em Nabatieh, cidade com cerca de 40 mil habitantes, no último dia 30. Especialistas em armamentos identificaram os projéteis como M825A1, de fabricação norte-americana. Essas peças de artilharia de 155 milímetros são projetadas para liberar 116 fragmentos impregnados com fósforo branco, que se incendeiam em contato com o ar.

O fósforo branco não é uma substância proibida pelo direito internacional quando utilizada para fins de sinalização ou criação de cortinas de fumaça. No entanto, as leis de guerra vetam seu uso deliberado contra civis ou em áreas urbanas devido aos danos físicos severos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o componente causa queimaduras profundas que podem atingir os ossos, além de danos respiratórios e falência de órgãos se inalado.

Especialistas da Human Rights Watch destacam que as queimaduras podem ser reativadas quando os curativos são removidos e a substância é exposta novamente ao oxigênio. Além dos danos humanos, o governo libanês enviou notificações às Nações Unidas relatando mais de 600 incêndios em florestas e áreas agrícolas causados pelo uso de fósforo branco desde outubro de 2023.

O que diz o Exército de Israel

Procurado pelo jornal, o Exército de Israel (IDF) não comentou os incidentes específicos em Nabatieh e Tiro. Em comunicado, os militares afirmaram que seus procedimentos internos proíbem o uso dos projéteis em áreas povoadas, mas ponderaram que há exceções.

A nota declara ainda que o uso de munições de fósforo branco pelas forças israelenses tem como objetivo a criação de fumaça para camuflagem, e não o ataque a alvos ou o início de incêndios.

O uso desse armamento por Israel já foi alvo de investigação em conflitos anteriores, como na Faixa de Gaza em 2009 e no Líbano em 1982 e 2006.

Em 2013, o Exército de Israel anunciou que reduziria significativamente o uso de fósforo branco após pressão de organizações de direitos humanos.

O NYT relata que outras nações, como Estados Unidos, Rússia e Ucrânia, também já foram acusadas de utilizar a substância em operações militares recentes.


Fonte: Jovem Pan

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