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Justiça das Bahamas reconhece liquidação do Master e autoriza busca por ativos no exterior

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A Justiça das Bahamas reconheceu a liquidação do Banco Master e autorizou o representante estrangeiro a atuar em nome da instituição e de outras empresas do grupo no país.

A decisão, de 26 de maio, foi tomada pela Suprema Corte das Bahamas e permite que a empresa responsável pela liquidação, a EFB Regimes Especiais de Empresas Ltda., exerça poderes para buscar e administrar ativos no exterior.

O reconhecimento é um passo importante para dar alcance internacional ao processo conduzido no Brasil.

Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central do Brasil determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master e nomeou a EFB como liquidante.

Além do Banco Master S.A., a medida se estende a outras quatro empresas do grupo, incluindo banco de investimento e corretora.

Agora no g1 Atuação no exterior Com a decisão, o representante estrangeiro passa a ter autorização para: agir em nome das empresas nas Bahamas; acessar informações financeiras; buscar e recuperar ativos; participar de processos judiciais.

O tribunal destacou que o reconhecimento segue regras de cooperação internacional em casos de insolvência e tem como objetivo garantir uma condução “justa e eficiente” do processo.

Banco Master Reprodução/TV Globo Suspeitas de fraude Na decisão, o juiz menciona investigações conduzidas no Brasil envolvendo o grupo.

Segundo os autos, há indícios de que o controlador do banco, Daniel Vorcaro, e outros envolvidos teriam desviado pelo menos US$ 1 bilhão em ativos, por meio de operações como compra de ativos com valores inflados e concessão de crédito com garantias supervalorizadas.

O documento também cita a existência de apurações sobre o uso de recursos de investidores e depositantes, o que levou à intervenção do Banco Central.

Linha do tempo O caso do Banco Master envolve uma sequência recente de eventos: Novembro de 2025: Banco Central decreta liquidação do banco Março de 2026: novas empresas do grupo entram no processo Maio de 2026: Justiça das Bahamas analisa pedido Maio de 2026: reconhecimento do liquidante estrangeiro Segundo o tribunal, o processo de liquidação no Brasil tem natureza coletiva e busca reunir ativos para pagamento de credores.

Cooperação internacional

A decisão ressalta que os procedimentos brasileiros são compatíveis com os requisitos legais das Bahamas, inclusive no que diz respeito à supervisão por autoridades e ao acesso ao Judiciário.

O juiz também destacou que o reconhecimento respeita o princípio de “cortesia internacional”, comum em casos de insolvência transnacional, permitindo que países cooperem na administração de ativos e dívidas.

Em outro trecho, a decisão afirma que os tribunais brasileiros mantêm supervisão sobre o processo, mesmo com a atuação do Banco Central, o que atende às exigências da legislação local.

Participação de credores

O tribunal também indicou que a atuação do liquidante deve assegurar tratamento equitativo aos credores, incluindo aqueles situados fora do Brasil.

A medida permite que ativos eventualmente localizados nas Bahamas sejam identificados e incorporados ao processo de liquidação, aumentando as chances de ressarcimento.

A decisão não detalha eventuais recursos, mas, como se trata de uma decisão judicial, ainda cabem questionamentos nas instâncias superiores das Bahamas.

O próprio tribunal ressalta que interessados podem recorrer à Justiça no curso do processo.