Saiba como as pesquisas eleitorais são feitas
Nova pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra o presidente Lula (PT) liderando em um eventual 2º turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). A pesquisa é a primeira feita depois da divulgação dos áudios do senador para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
LEIA TAMBÉM: Quaest, 1º turno: Lula lidera com 39%, e Flávio tem 29%
Na última segunda-feira (8), a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral por decisão do TSE reacendeu o debate sobre como funcionam os levantamentos e como os institutos chegam aos resultados divulgados.
As conversas entre o senador e o ex-banqueiro, que está preso, levaram o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, a determinar na segunda-feira (8) a retirada do conteúdo e a suspensão da divulgação da pesquisa do Instituto AtlasIntel.
A suspensão reacendeu o debate sobre como funcionam os levantamentos eleitorais e como os institutos chegam aos resultados divulgados.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
Mas como são feitas as pesquisas eleitorais?
Saiba como são feitas as pesquisas eleitorais
Jornal Nacional/ Reprodução
A pesquisa tem a função de captar o clima da corrida eleitoral registrando a temperatura da disputa naquele determinado momento. E isso é feito ouvindo o eleitor.
Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, em entrevista ao Jornal Nacional, “pesquisas tentam identificar padrões para tentar antecipar movimentos que estão acontecendo na opinião pública”.
Para isso, é usado método científico. Primeiro, são definidos quem serão os entrevistados, que vão representar o universo dos eleitores.
Como é impossível entrevistar todos os eleitores do país, os institutos estabelecem critérios para selecionar um grupo de pessoas para representar a população: a amostra.
A Quaest divulgada nesta quarta, por exemplo, encomendada pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 5 e 8 de junho. O registro no TSE é BR-07661/2026.
Os cálculos estatísticos ajudam a explicar por que a maioria das pessoas nunca foi entrevistada em uma pesquisa eleitoral. A chance de uma pessoa ser selecionada para participar de uma pesquisa que vai fazer 1,2 mil entrevistas na cidade de São Paulo, por exemplo, onde há mais de 9 milhões de eleitores, é de uma em 7.768. A probabilidade é muito baixa: 0,013%.
Mas como um grupo de cerca de mil pessoas pode expressar a intenção de voto de uma cidade inteira? Essa amostragem é definida a partir de dados disponíveis em outros órgãos, como o IBGE e do Tribunal Superior Eleitoral. A amostra precisa reproduzir as características da população que será representada – mesmas características em relação a sexo, idade, escolaridade e renda.
A metodologia depende dos institutos. No caso da Quaest, os pesquisadores vão até a casa do eleitor. Já o Datafolha entrevista as pessoas na rua, nos chamados pontos de fluxo, que são pontos específicos em cada município pesquisado.
Outra preocupação recente das pesquisas é com o alto índice de abstenção, que superou 31 milhões, chegando a 20% dos eleitores no primeiro turno da última eleição presidencial de 2022.
Muitas vezes, a pessoa diz na pesquisa que vai votar em determinado candidato, mas depois nem aparece nas urnas. Por isso, institutos incluíram perguntas no questionário para ter mais pistas se o entrevistado vai mesmo votar no dia da eleição.
“A gente passou, desde 2022, a incorporar um modelo estatístico que ajusta a pesquisa exatamente à probabilidade de os eleitores irem ou não votar no dia da eleição. Esses modelos foram trazidos de estudos feitos nos Estados Unidos, onde o voto não é obrigatório”, conta Nunes.
E não dá para se oferecer para ser entrevistado. A escolha de quem vai responder tem que ser aleatória, para garantir a representatividade da amostra.
Pesquisas eleitorais: margem de erro
Jornal Nacional/ Reprodução
Pesquisa não é previsão
Apesar de muitas pessoas acreditarem, pesquisas eleitorais não fazem previsão de quem vai ganhar as eleições. Ela dá ao eleitor informações sobre cada momento da disputa até a hora de ir às urnas. É uma ferramenta valiosa para entender o cenário eleitoral, que pode variar a cada pesquisa.
Essa é a diferença para uma enquete, em que se fazem perguntas sem nenhuma metodologia ou rigor de como as pessoas vão ser selecionadas.
Como toda pesquisa por amostragem, existe uma margem de erro, calculada com uma fórmula matemática. E quanto maior a amostra, menor a margem de erro. Então, em uma amostra com 500 entrevistas, a margem de erro vai ser muito maior do que uma com 1,2 mil, por exemplo.
“A margem de erro é a segurança que o eleitor tem de que aquela informação foi calculada de maneira técnica e científica”, diz Felipe Nunes.
Na Quaest desta quarta, a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. São cálculos estatísticos que também definem o nível de confiança da pesquisa, que é de 95%. Em outras palavras, significa que se a pesquisa for repetida 100 vezes, em 95 delas o resultado vai estar dentro da margem de erro.
Fonte: