O advogado Bruno Ferullo Rita disse nesta quarta-feira (10) ser “inviável qualquer participação” de Marco Herbas Camacho, o Marcola, e de Alejandro Camacho em esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) e investigado no âmbito da Operação Vérnix. Os irmãos estão presos na Penitenciária Federal de Brasília.
“A Defesa reitera que Marco Willians Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior encontram-se custodiados em estabelecimento penal de segurança máxima desde fevereiro de 2019, submetidos a severas restrições de contato e comunicação”, afirmou Rita em nota.
Sobre os sobrinhos de Marcola, Leonardo Camacho e Paloma Camacho, o advogado argumentou que o “mero vínculo familiar” não pode “ser confundido com participação criminosa”. Para a defesa, a “proximidade afetiva” também não deve ser utilizada como fundamento para acusação.
Rita também disse que os “elementos de natureza patrimonial e financeira” citados na denúncia do Ministério Público de São Paulo (MPSP) serão “devidamente contextualizados” no decorrer do processo. “Oportunidade em que serão apresentados os esclarecimentos e as provas pertinentes acerca da origem e da regularidade das operações apontadas pela acusação”, declarou a defesa.
Operação Vérnix
Em 21 de maio, o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil deflagraram a Operação Vérnix, que teve como alvos a influenciadora Deolane Bezerra, Marcola, Alejandro Camacho, Paloma Camacho, Leonardo Camacho e Everton de Souza. Também foram bloqueados mais de R$ 327 milhões em bens e valores e sequestrados 17 veículos, incluindo carros de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, e quatro imóveis ligados aos investigados.
As investigações começaram em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material continha referências à estrutura interna do PCC, ordens da cúpula da facção e possíveis ataques contra agentes públicos.
A Polícia Civil instaurou três inquéritos que identificaram uma empresa de transportes que seria utilizada para ocultar e movimentar recursos ilícitos da facção. De acordo com a apuração, a transportadora Lopes Lemos Transportes Ltda, conhecida como “Lado a Lado Transportes”, teria movimentado mais de R$ 20 milhões, com incompatibilidade milionária entre os valores declarados ao Fisco e as movimentações financeiras identificadas pelos investigadores.
A Justiça reconheceu, em sentença anterior, que a empresa foi utilizada como instrumento de lavagem de capitais em benefício do PCC.
Como o PCC operava o esquema
As investigações apontam que o esquema era comandado de dentro do sistema penitenciário federal por Marcola e seu irmão. Conversas encontradas em celulares apreendidos revelaram que familiares e pessoas próximas atuavam na administração financeira da transportadora, no repasse de ordens e na divisão dos lucros obtidos pela facção.
Segundo a polícia, Paloma Camacho e Leonardo Camacho aparecem como beneficiários e intermediários das movimentações financeiras. Já Everton de Souza, chamado como “Player”, seria responsável por orientar o direcionamento dos repasses financeiros da organização criminosa.
Conforme o relatório policial, Deolane teria recebido valores provenientes da transportadora e utilizado sua estrutura financeira para inserir os recursos ilícitos no sistema financeiro formal.
O inquérito concluiu que a organização mantinha um esquema estruturado de lavagem de dinheiro, com participação de integrantes da cúpula do PCC, familiares e operadores financeiros ligados à facção.
Leia a íntegra da nota
Bruno Ferullo, advogado de Marco Willians Herbas Camacho, Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, vem a público informar que o Ministério Público do Estado de São Paulo apresentou, na presente data, denúncia em desfavor de seus constituintes no contexto da denominada Operação Vérnix, atribuindo-lhes, em tese, a prática dos delitos previstos no artigo 2.º da Lei n.º 12.850/2013 (organização criminosa) e no artigo 1.º da Lei n.º 9.613/1998 (lavagem de capitais).
A Defesa reitera que Marco Willians Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior encontram-se custodiados em estabelecimento penal federal de segurança máxima desde fevereiro de 2019, submetidos a severas restrições de contato e comunicação, o que, por si só, torna inviável qualquer participação nos fatos investigados e evidencia o equívoco da acusação.
Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho também refutam integralmente as imputações formuladas. A Defesa destaca que o mero vínculo familiar com os demais denunciados não pode ser confundido com participação criminosa, sendo inaceitável que a simples proximidade afetiva sirva de fundamento para uma acusação desta magnitude.
Quanto aos elementos de natureza patrimonial e financeira mencionados na denúncia, a Defesa esclarece que eles serão devidamente contextualizados no decorrer da instrução processual, oportunidade em que serão apresentados os esclarecimentos e as provas pertinentes acerca da origem e da regularidade das operações apontadas pela acusação.
A Defesa, diante da acusação apresentada, adotará todas as medidas processuais cabíveis para demonstrar a fragilidade da narrativa acusatória e a improcedência das imputações atribuídas aos seus constituintes, confiando que, ao final da regular instrução processual, a verdade dos fatos será devidamente reconhecida pelo Poder Judiciário.
Fonte: Jovem Pan