O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou nesta quinta-feira (11) um observatório que monitora a Amazônia e divulgou, ao lado da equipe do Ministério do Meio Ambiente e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), dados que apontam uma redução do desmatamento no Brasil – especialmente, nos biomas Amazônia e Cerrado.
A divulgação ocorre em meio a questionamentos dos Estados Unidos sobre o enfrentamento, pelo Brasil, do desmatamento ilegal em seu território.
Em um documento no qual propôs a aplicação de tarifas contra produtos brasileiros, o Escritório de Comércio dos EUA afirma, entre outros pontos, que o Brasil, embora tenha um marco ilegal para combater o desmatamento ilegal, falhou historicamente em aplicá-lo de forma eficaz.
Ao participar de evento no observatório da Amazônia, Lula disse que quer provar, nas negociações com os Estados Unidos, que o Brasil está certo quando o assunto são dados ambientais.
“Quando a gente está negociando com alguém que não tem parâmetro para negociar, não se comporta de forma civilizada, a gente vai ter que fazer comparação”, afirmou Lula.
“Não adianta [Donald Trump] falar que tem aviões, eu não quero guerra. A minha guerra é provar que nós estamos certos e vocês estão errados. É provar que você não foi eleito para ser imperador do mundo, que você pode dizer tudo que você quer e as pessoas ficarem quietas”, completou o presidente.
Desmatamento em queda
Durante o evento, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, apresentou dados coletados pelo Deter, um sistema de alertas que dá suporte à fiscalização, que apontam redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado no mês de maio.
Na Amazônia, a área sob alerta de desmatamento em maio registrou uma queda de 61,4% em relação ao mesmo mês do ano passado. É a maior redução da série histórica para o período.
No acumulado entre agosto de 2025 e maio de 2026, o bioma apresentou recuo de 37,5% na comparação com o mesmo intervalo entre 2024 e 2025.
No Cerrado, também houve redução. No acumulado, de agosto de 2025 a maio de 2026, a queda foi de 25,3% em relação ao mesmo período anterior.
O sistema Deter monitora e emite alertas diários sobre regiões com desmatamento. Os dados consolidados anuais, produzidos pelo sistema Prodes, ainda não foram fechados.
Após a divulgação dos dados, o ministro do Meio Ambiente afirmou a jornalistas que as informações, produzidas pelo Inpe, já são públicas e serão divulgadas de modo global.
Segundo ele, embora a apresentação dos números seja uma prática tradicional do governo brasileiro, os dados também serão compartilhados com o governo dos Estados Unidos, assim como com outros países e organismos internacionais interessados no monitoramento ambiental.
“Estamos apresentando de forma clara, o Brasil não está promovendo desmatamento e exportando madeira ilegal. Estivemos nos EUA, detalhamos os dados e mesmo assim veio essa injusta acusação contra nós”, concluiu o ministro
O presidente Lula durante discurso em local que monitora desmatamento na Amazônia nesta quinta-feira (11)
Reprodução/Canal Gov
Fonte: