A Polícia Federal (PF) rejeitou nesta quinta-feira (11) a nova delação feita pelo banqueiro e dono do Banco Master Daniel Vorcaro. Na nova proposta de delação apresentada à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República (PGR), o banqueiro alterou sua versão sobre a relação mantida com Ciro e com o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro. Vorcaro passou a adotar o entendimento das investigações e classificou os episódios como casos de propina, abandonando a versão anterior de que se tratavam apenas de relações de amizade.
A Jovem Pan havia adiantado que a decisão não deveria ser aprovada, pois para os investigadores, a afirmação dada pelo dono do Banco Master de que pagava propina ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi insuficiente.
No dia 20 de maio a PGR já havia rejeitado a primeira proposta proposta. A Procuradoria-Geral da República (PGR), entretanto, ainda analisa as duas delações que foram apresentadas.
Entenda o caso Master
Após identificar indícios de irregularidades financeiras e a grave crise de liquidez, o Banco Central determinou, em 18 de novembro, a liquidação extrajudicial de:
Banco Master S/A;
Banco Master de Investimentos S/A;
Banco Letsbank S/A;
Master S/A Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários.
Em 21 de janeiro, o Will Bank, braço digital do Master, teve o seu encerramento forçado.
O processo de liquidação foi acompanhado pela Operação Compliance Zero. Também em 18 de novembro, a PF deflagrou a primeira fase da ação para combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições que integram o Sistema Financeiro Nacional (SFN). Diante da possibilidade de fuga, Vorcaro foi preso um dia antes. O banqueiro foi solto depois com o uso de tornozeleira eletrônica. Em 4 de março, ele foi detido novamente.
Segundo as investigações, a instituição financeira oferecia Certificados de Depósitos Bancários (CDB) com rentabilidade muito acima do mercado. Para sustentar a prática, o Banco Master passou a assumir riscos excessivos e estruturar operações que inflavam artificialmente o seu balanço financeiro, enquanto a liquidez se deteriorava.
Os episódios do Banco Master e da gestora de investimentos Reag, liquidada em 15 de janeiro, são os mais graves do sistema financeiro brasileiro. Os casos envolvem, além das fraudes, tensões entre o STF e o Tribunal de Contas da União (TCU), bem como com o Banco Central e a PF.
Em 17 de janeiro, o FGC iniciou o processo de ressarcimento aos credores do Banco Master, Banco Master de Investimento e Banco Letsbank. O valor total a ser pago em garantias soma R$ 40,6 bilhões.
Fonte: Jovem Pan