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De 2002 a 2026: mundo mudou e tecnologia avançou, mas seleção brasileira segue com mesmas desconfianças

O ciclo da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 2026 despertou comparações inevitáveis com um passado que terminou em festa. A última vez que o Brasil conquistou o Mundial foi em 2002, justamente a edição mais recente disputada em mais de um país. Naquele ano, o torneio foi realizado por Japão e Coreia do Sul. Agora, a competição será sediada por Canadá, Estados Unidos e México.

Mas as semelhanças vão além do formato da Copa. Embora o mundo tenha mudado, a tecnologia tenha avançado e o futebol tenha passado por transformações profundas, a Seleção Brasileira chega ao Mundial cercada por dúvidas, assim como ocorreu há 24 anos.

A equipe desembarca para a 23ª edição da Copa do Mundo sob forte desconfiança da torcida. Segundo levantamento do Instituto Quaest, 72% dos brasileiros não acreditam na conquista do hexacampeonato. Apenas 25% demonstram confiança em um sexto título mundial, o menor índice registrado em quase três décadas.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 120 municípios brasileiros entre os dias 9 e 13 de abril de 2026. O nível de confiança é de 95%, com margem de erro de dois pontos percentuais. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09285/2026.

E se a falta de confiança atual chama atenção, vale lembrar que a Seleção também chegou desacreditada ao Mundial de 2002. Entre o vice-campeonato na Copa de 1998 e a conquista do pentacampeonato, o Brasil passou por um período de instabilidade, com quatro treinadores diferentes no comando da equipe.

Vanderlei Luxemburgo

Candinho

Emerson Leão

Felipão

O mesmo se repete agora, quando, de 2022 a 2026, o Brasil teve:

Ramon Menezes

Fernando Diniz

Dorival Júnior

Carlo Ancelotti

Ronaldo e Neymar

Ronaldo na Copa de 2022 e Neymar no treino da Seleção Brasileira para a Copa de 2026 │AFP PHOTO /ANTONIO SCORZA e MAURO PIMENTEL / AFP

Dentro de campo, as comparações também aparecem. Em 2002, o ataque brasileiro era formado por Rivaldo, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho. Em 2026, a expectativa recai sobre Vinícius Júnior, Neymar e Raphinha.

Entre os paralelos mais evidentes está justamente a situação do principal nome da equipe. Há 24 anos, Ronaldo chegava cercado por dúvidas após passar quase dois anos afastado dos gramados por graves lesões nos joelhos. Apesar do talento incontestável, havia incertezas sobre sua condição física e capacidade de retomar o protagonismo.

Neymar vive um cenário semelhante. O camisa 10 se recupera de uma lesão na panturrilha que, segundo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), deve afastá-lo dos gramados por até três semanas. A Seleção Brasileira estreia na Copa do Mundo em 13 de junho, diante do Marrocos.

O atacante está concentrado com o grupo na Granja Comary e segue sendo acompanhado pelo departamento médico da Seleção. Ainda assim, seu nome divide opiniões entre os torcedores. Além da sequência de lesões nos últimos anos, o desempenho recente do jogador também alimenta a desconfiança de parte da torcida.

Apesar disso, Carlo Ancelotti adotou postura semelhante à de Luiz Felipe Scolari em 2002. Assim como Felipão bancou a convocação de Ronaldo, o treinador italiano defendeu a presença de Neymar no grupo. A diferença é que fez uma ressalva pública: o atacante só entrará em campo se mostrar que merece a vaga.

Os números reforçam outra coincidência entre as duas histórias. Antes da convocação para a Copa de 2002, Ronaldo havia disputado apenas 16 partidas pela Inter de Milão após retornar das lesões. Neymar, por sua vez, chegou ao Mundial de 2026 com somente 15 jogos disputados pelo Santos na temporada.

Mudanças tecnológicas

Se em 2002 levar um celular para registrar momentos com amigos e familiares ainda era algo incomum, em 2026 a realidade é completamente diferente. Hoje, praticamente tudo vira conteúdo. Cada momento é fotografado, filmado e compartilhado em tempo real. Além das fotos, os smartphones permitem transmissões ao vivo, chamadas de vídeo e acesso instantâneo às redes sociais.

Na época do pentacampeonato, o aparelho que simbolizava a revolução da comunicação era o Nokia 3310. Agora, os smartphones dominam o cotidiano, com modelos cada vez mais avançados, como os iPhones de última geração.

Essa transformação tecnológica também mudou a forma como uma Copa do Mundo é acompanhada. Torcedores, jornalistas e jogadores estão conectados o tempo todo, acompanhando em tempo real tudo o que acontece dentro e fora dos gramados.

Ao mesmo tempo, o uso constante das redes sociais criou novos desafios para as seleções. A circulação instantânea de informações, rumores e opiniões ampliou a pressão sobre atletas e comissões técnicas. Não por acaso, algumas equipes passaram a adotar medidas para reduzir o uso de celulares durante períodos de concentração, além de estabelecer orientações sobre a frequência e o conteúdo das publicações feitas pelos jogadores ao longo do torneio.

Iphone 17, celular mais recente da Apple, e Nokia 3310, sucesso dos anos 2000 │Divulgação

Mas as mudanças não se limitam aos bastidores. Dentro de campo, a tecnologia também transformou o futebol.

A bola, que em 2002 era apenas um equipamento esportivo, hoje conta com sensores internos capazes de fornecer dados em tempo real e até exige recarga para o funcionamento de seus recursos tecnológicos. Além disso, ferramentas como o árbitro de vídeo (VAR) e o impedimento semiautomático se tornaram elementos centrais das partidas.

Esses avanços reduziram significativamente a margem para erros de arbitragem e tornaram mais difícil a ocorrência de lances polêmicos que marcaram edições anteriores da Copa do Mundo.

Um dos exemplos mais lembrados aconteceu justamente na estreia do Brasil no Mundial de 2002, contra a Turquia. Após a Seleção sair atrás no placar e empatar com Ronaldo, Luizão arrancou em velocidade aos 40 minutos do segundo tempo e foi atingido por um defensor turco fora da área. No entanto, o atacante caiu já dentro da área e o árbitro assinalou pênalti.

Na cobrança, Rivaldo converteu e garantiu a vitória brasileira por 2 a 1. Com os recursos tecnológicos disponíveis atualmente, a marcação provavelmente seria revisada e corrigida.

Em entrevista ao ge, Luizão relembrou o episódio com bom humor e reconheceu a importância do lance para a campanha brasileira. “Esse pênalti teve muita importância no nosso pentacampeonato”, afirmou.

Aquela vitória foi apenas o primeiro passo de uma trajetória que terminaria com o Brasil conquistando o quinto título mundial de forma invicta, feito que a Seleção tenta repetir agora, em um cenário muito mais conectado e tecnológico do que o vivido há 24 anos.


Fonte: Jovem Pan

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