Depois de uma segunda temporada que dividiu opiniões por apostar mais na construção política do que na ação, os dois primeiros episódios da terceira temporada de A Casa do Dragão chegam como uma resposta direta às críticas dos fãs. A guerra finalmente começou e ela começa de forma brutal.
Logo na estreia, a aguardada Batalha da Goela toma conta da narrativa e justifica toda a expectativa criada ao longo dos últimos anos. Considerada uma das maiores batalhas da história de Westeros, a sequência impressiona pela escala cinematográfica, misturando combate naval, dragões em pleno voo e um nível de destruição raramente visto na televisão. Não é difícil entender por que Ryan Condal comparou o episódio a uma espécie de “Helm’s Deep” do universo de Game of Thrones.
A produção eleva o padrão técnico da série a um novo nível. Os efeitos visuais são impressionantes, a direção mantém a tensão constante e a sensação de caos é transmitida com eficiência. Há momentos em que o espectador mal consegue respirar diante da quantidade de acontecimentos simultâneos. A batalha não parece apenas um espetáculo visual; ela tem peso dramático e consequências reais para a história.
Mas o maior mérito da temporada talvez seja não se apoiar apenas na ação. O segundo episódio desacelera o ritmo para mostrar as cicatrizes deixadas pela guerra. Rhaenyra surge mais determinada e endurecida pelos acontecimentos recentes, enquanto os Verdes enfrentam seus próprios conflitos internos. Emma D’Arcy entrega alguns dos melhores momentos da personagem até aqui, transmitindo dor, fúria e vulnerabilidade em igual medida.
Matt Smith também continua sendo um dos grandes trunfos da série. Daemon permanece imprevisível, magnético e perigoso, enquanto Aemond se consolida cada vez mais como uma das figuras mais ameaçadoras de Westeros. A sensação é de que todos os personagens estão finalmente sendo empurrados para decisões irreversíveis.
Outro ponto positivo é o ritmo. Diferentemente da temporada anterior, que muitas vezes parecia preparar o terreno para eventos futuros, os dois primeiros episódios da nova fase passam a impressão de que a história está sempre avançando. Cada cena traz uma consequência, cada diálogo tem importância e a guerra entre Pretos e Verdes finalmente ganha a urgência que os fãs esperavam.
Se existe alguma crítica, ela está justamente no contraste entre os episódios. Após uma estreia gigantesca, o segundo capítulo inevitavelmente parece menor em escala. Ainda assim, ele funciona como um necessário respiro emocional antes das próximas tragédias que certamente virão.
Com isso, a terceira temporada começa acertando no ritmo e encaixando algumas peças fundamentais na trama, além de adicionar novos rostos também. A Casa do Dragão retorna mais confiante, mais grandiosa e com uma clara intenção de mostrar que a Dança dos Dragões entrou em sua fase mais sangrenta. Se os próximos episódios mantiverem esse nível de qualidade, estamos diante da melhor temporada da série até agora e talvez da mais próxima do impacto cultural que Game of Thrones teve em seus anos de ouro.
O primeiro episódio da 3ª temporada chega neste domingo, 21, na HBO Max
Fonte: Jovem Pan