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Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado, é alvo de busca e apreensão em operação sobre fraude no INSS e Banco Master

A Polícia Federal deflagrou na manhã de quinta-feira (18) a nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga irregularidades relacionadas ao Banco Master. Entre os principais alvos está o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado Federal.
Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), agentes cumprem 18 mandados de busca e apreensão nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal. Segundo a Polícia Federal, a nova fase da operação apura a possível participação de um agente público em um esquema de irregularidades envolvendo o Banco Master. Os investigados são suspeitos dos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Até o momento, a PF não divulgou detalhes sobre os fatos específicos que motivaram os mandados desta quinta-feira.
Papel de Wagner na estrutura
Wagner foi identificado em investigações anteriores como figura central na rede de influência do Banco Master. Documentos da Polícia Federal indicam que o senador atuava nos bastidores para sustentar a operação de Daniel Vorcaro e seus associados no governo federal, facilitando transações e acessos a autoridades de diferentes órgãos. Relatórios de inteligência descrevem sua participação como chave para a viabilização de operações do banco junto a estruturas estatais e de crédito público.
Aliado forte de Lula
Jaques Wagner é senador pela Bahia e atualmente ocupa o cargo de líder do governo no Senado Federal. Nascido no Rio de Janeiro em 1951, construiu sua trajetória política na Bahia, onde foi governador por dois mandatos consecutivos entre 2007 e 2014. Também ocupou cargos de destaque nos governos petistas, incluindo os ministérios da Defesa, da Casa Civil e do Trabalho.
Prisões mantidas
No dia 16 de junho, a Segunda Turma do STF decidiu manter as prisões do pai do banqueiro Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, e do primo dele, Felipe Vorcaro. A decisão também determina medidas cautelares, como proibição de contato entre os investigados, a suspensão de passaportes e o uso de monitoração eletrônica.
Banco Master
O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em 18 de novembro de 2025, sob um rombo financeiro estimado em 52 bilhões de reais, que já é tido como a maior fraude bancária na história brasileira. As investigações sugerem que um esquema de fraudes teria sido arquitetado para encobrir o rombo financeiro na instituição, com o controlador da instituição, Daniel Vorcaro, fazendo conexões com políticos e autoridades influentes para tentar impedir a liquidação extrajudicial.
O Banco Central já liquidou 8 instituições financeiras em função das fraudes do Banco Master e o FGC deve arcar um prejuízo que pode chegar a cerca de 52 bilhões de reais. A Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, revelou uma intrincada teia de relações que o principal alvo da apuração, Vorcaro, estabeleceu com políticos, criminosos e servidores públicos de alto escalão, incluindo diretores do Banco Central e agentes da própria PF.
As mensagens obtidas pela CPMI do INSS revelam que Vorcaro construiu uma rede de relacionamentos que se estendia pelos três Poderes. A PF encontrou mensagens que revelavam a existência de uma estrutura paralela de coação e violência, batizada, num grupo de WhatsApp, de “A Turma”. O núcleo era liderado por um homem identificado como “Sicário”. Segundo a PF, Vorcaro integrava uma organização criminosa que atuava como “milícia privada”, recorrendo à violência e à coação contra adversários do banqueiro.
Dias Toffoli, ministro do STF
Um fundo de investimento gerido por empresa citada no caso Master realizou um aporte de R$ 4,3 milhões para comprar ações do Tayayá Resort por meio do fundo Arleen, administrado pela Reag, citada na operação Carbono Oculto por suspeita de ligação com esquema de lavagem de dinheiro para o PCC.
A empresa Maridt, da qual Toffoli é sócio ao lado de familiares, vendeu sua participação da companhia no resort Tayayá em 2021 a um fundo ligado ao Master, e o ministro confirmou pela primeira vez que recebeu valores da empresa após a venda. Toffoli confirmou que integrava a sociedade da empresa Maridt e que a companhia vendeu sua participação no resort Tayayá em 2021 para um fundo vinculado à rede de investimentos associada ao banqueiro Daniel Vorcaro, e até 2025 o fundo Arleen manteve participação na Tayayá Administração e Participações.
Documentos revelam uma operação imobiliária de quase R$ 27 milhões envolvendo um primo de Toffoli, realizada em 19 de agosto de 2025, pouco antes de Toffoli se tornar relator do caso Banco Master no STF, na qual a empresa DGEP Empreendimentos comprou o Sítio São João, uma área de 41 hectares situada ao lado do resort. A PF vê divergências entre a versão de Toffoli e elementos coletados, incluindo registros de mensagens trocadas entre o ministro e Vorcaro no dia da prisão do empresário, embora o teor não tenha sido confirmado.
Após a PF enviar ao presidente do STF um relatório com informações que levantavam suspeitas sobre relações do ministro com o Master, o ministro Edson Fachin arquivou o documento como pedido de suspeição após o afastamento de Toffoli, que alegou não haver impedimento, já que sua empresa havia deixado o Tayayá antes do escândalo envolvendo o banco.


Fonte: Conexão Política

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