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PF mira senador Jaques Wagner e banqueiro Augusto Lima em 9ª fase da Compliance Zero

Jaques Wagner é alvo de nova fase da operação Compliance Zero
O senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Senado Federal, está entre os alvos da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (18).
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A PF aponta que Jaques Wagner atuou em defesa de interesses do Banco Master no Congresso e, em troca, recebeu vantagens indevidas — como um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em R$ 2,5 milhões, e repasses a empresas ligadas a familiares do parlamentar (entenda mais abaixo).
A TV Globo procurou a assessoria do senador, mas ainda não obteve resposta.
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça ligado ao Banco Master, de Daniel Vorcaro. Relembre aqui as fases anteriores da operação.
Além de Jaques Wagner, a PF também mira nesta fase da operação o banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro e dono do Banco Pleno — liquidado pelo Banco Central em fevereiro (veja a lista de alvos mais abaixo).
A defesa de Augusto Lima afirma que ele “sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública” (veja na íntegra mais abaixo).
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Carlos Moura/Agência Senado
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Jaques teria recebido ‘vantagens indevidas’
A operação tem como foco principal a relação entre o senador e o banqueiro Augusto Lima, apontado como aliado de Daniel Vorcaro.
A PF apura se o parlamentar teria atuado em favor de projetos de interesse do Master no Congresso, entre eles a chamada “Emenda Master” e uma proposta que ampliava o limite do crédito consignado.
🔎A Emenda nº 11 à PEC 65/2023, conhecida como Emenda Master, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) e sob investigação da Polícia Federal, propunha mudanças no funcionamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), mecanismo que protege correntistas e investidores em caso de quebra de instituições financeiras.
➡️Na prática, ela ampliaria o modelo de negócios fraudulento do Master, a partir da ampliação da cobertura do FGC (entenda mais aqui).
🔎Segundo a decisão, a Polícia Federal identificou que “o texto da emenda foi elaborado pela assessoria do Banco Master” e depois entregue “em envelope endereçado a ‘Ciro'” na residência do senador. Segundo os investigadores, Jaques Wagner teria atuado pela aprovação da proposta no Congresso.
Em contrapartida, os investigadores apontam que Jaques Wagner recebeu “vantagens indevidas”, como um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões em Salvador, além de repasses que somariam R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa ligada a familiares, bem como o uso de aeronaves e ingressos para shows.
A apuração teve início após a análise de mensagens encontradas no celular de Augusto Lima.
Jaques Wagner, que já foi governador da Bahia por dois mandatos e ocupou diversos ministérios, já havia sido citado anteriormente por intermediar contatos entre o grupo financeiro e altas autoridades.
Senador Jaques Wagner (PT-BA) e banqueiro Augusto Lima
Andressa Anholete/Agência Senado e Vanner Casaes/Agência Alba
Operação da PF
Policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), em endereços ligados aos alvos no Distrito Federal, em São Paulo e na Bahia.
Além disso, agentes federais cumprem medidas cautelares, como proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaportes. Inicialmente, a PF falou em monitoramento eletrônico, mas depois corrigiu a informação.
Os fatos investigados podem caracterizar os crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
Veja quem são os alvos desta quinta:
senador Jaques Wagner (PT-BA);
Augusto Ferreira Lima, dono do Banco Pleno e ex-sócio de Vorcaro, do Banco Master;
Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado de Jaques Wagner, secretário de Meio Ambiente do governo da Bahia e gestor da BN Financeira Ltda;
Bonnie Toaldo Bonilha, esposa de Eduardo e vinculada à estrutura societária da BN Financeira;
Patrich Toaldo Bonilha, vinculado à BN Representações Tecnológicas Ltda;
Guilherme Henrique Sodré Martins (“Tio Guiga”). pai de Eduardo Sodré e pessoa de confiança de Jaques Wagner;
Valério Marega Júnior (“Valério Fundos”), operador financeiro ligado a estruturas de fundos do Banco Master;
David Lopes Monteiro, operador vinculado ao núcleo empresarial e jurídico;
Luiz Antonio Lombardi, diretor da Epítome S.A., empresa que adquiriu formalmente o imóvel em Salvador;
Andréa Lima Novaes, diretora da PKL One Participações S.A. e prima de Augusto Lima;
BN Financeira Ltda., empresa central no eixo de pagamentos ao núcleo familiar de Jaques Wagner;
BN Representações Tecnológicas Ltda., empresa vinculada ao mesmo núcleo da BN Financeira;
PKL One Participações S.A. (Credcesta); empresa ligada ao núcleo de Augusto Lima;
Terra Firme da Bahia Ltda., empresa vinculada a Augusto Lima e onde Andréa Novaes possui vínculo profissional;
GF4.15 Participações e Consultoria Ltda., sociedade administrada por Guilherme Sodré.
Caso Master
A Operação Compliance Zero é uma investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e seu presidente, Daniel Vorcaro.
A primeira fase foi deflagrada em novembro de 2025, após indícios de que o banco emitiu títulos de investimento sem garantias suficientes, com objetivo de atrair clientes com promessas de rentabilidade acima da média do mercado. Na ocasião, Vorcaro foi preso, e a PF estimou um prejuízo potencial de até R$ 12 bilhões.
Ao longo das fases seguintes, a investigação foi ampliada e passou a incluir suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio, intimidação de adversários, espionagem, uso indevido de informações sigilosas e corrupção.
A PF também investiga aportes bilionários feitos pelo Banco de Brasília (BRB) no Master e supostos repasses a agentes políticos.
Nas fases mais recentes, a operação atingiu familiares e aliados de Vorcaro, além de autoridades públicas.
Entre os alvos estão o senador Ciro Nogueira (PP-PI), investigado por supostos pagamentos relacionados aos interesses do banco, e o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), no âmbito da apuração sobre investimentos de recursos do Rioprevidência em fundos ligados ao Master.
Todos os investigados negam irregularidades.
Defesa de Augusto Lima
A defesa do banqueiro Augusto Lima, alvo da operação desta quinta, enviou a seguinte nota na íntegra:
“As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.
De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.
Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.”


Fonte:

g1 > Política

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