O Brasil registrou 8,4 milhões de pessoas analfabetas em 2025, o que representa uma taxa de 4,9%, a primeira vez que o índice fica abaixo de 5% desde 2016. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira (19) pelo IBGE, o país reduziu o total de pessoas que não sabem ler nem escrever em 592 mil na comparação com 2024, mas ainda concentra mais da metade desse contingente (4,8 milhões) na região Nordeste.
Apesar da evolução, o país não cumpriu a meta do Plano Nacional de Educação (PNE), que previa a erradicação do analfabetismo até 2024. Enquanto o Nordeste e o Norte (5,7%) registram os maiores índices, as regiões Sul (2,4%) e Sudeste (2,3%) apresentam as menores taxas de analfabetismo.
A pesquisa divulgada pelo IBGE também aponta que o analfabetismo no Brasil está concentrado na população idosa. Pessoas com 60 anos ou mais correspondem a 58% do total de analfabetos, somando 4,9 milhões de brasileiros. Sem considerar este grupo, a taxa nacional cai para 2,6%. Segundo o IBGE, o resultado indica que as gerações mais novas tiveram maior acesso à escolarização na infância.
Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre mulheres de 60 anos ou mais (13,7%) foi menor que a dos homens (14,1%) na mesma faixa etária. Na média geral da população a partir de 15 anos, as mulheres também mantêm um índice de analfabetismo menor (4,6%) que o registrado pelos homens (5,2%).
Desigualdade racial
O levantamento revela que o analfabetismo entre pretos ou pardos com 60 anos ou mais (20,6%) é quase três vezes superior ao de brancos (7,3%) na mesma idade. Apesar da diferença, houve avanços: pela primeira vez, mais da metade (51,3%) da população preta ou parda com 25 anos ou mais concluiu o ensino médio. Entre os brancos, esse percentual é de 64,9%.
A média de anos de estudo do brasileiro subiu para 10,2 anos em 2025. No ensino superior, a disparidade racial é acentuada: a proporção de jovens brancos com diploma (6,2%) é mais que o dobro da registrada entre pretos ou pardos (3,0%).
Entre jovens de 14 a 29 anos, o principal motivo para o abandono ou falta de frequência escolar é a necessidade de trabalhar, citado por 43% dos entrevistados. O desinteresse pelos estudos aparece em segundo lugar (25,6%). Entre as mulheres, fatores como gravidez (24,7%) e afazeres domésticos (8,6%) surgem como obstáculos específicos para a permanência na escola.
Na educação infantil, as regiões Norte e Nordeste apresentam a maior falta de vagas. No Norte, 44,5% das crianças de 2 a 3 anos que estão fora da escola não frequentam por não terem vagas ou instituições na localidade.
Fonte: Jovem Pan