Israel e o Hezbollah concordaram com um cessar-fogo nesta sexta-feira (19), informou uma autoridade dos EUA, após novos confrontos mortais entre os dois lados no Líbano colocarem sob pressão o acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio, menos de dois dias após sua assinatura.
As negociações agendadas para sexta-feira entre os EUA e o Irã na Suíça, que visavam levar o acordo para a próxima fase, foram adiadas em meio aos combates, sem uma nova data anunciada.
O principal negociador de Teerã alertou que o país não cederá em suas linhas vermelhas e que seu dedo continua “no gatilho”, mesmo com o transporte de produtos parecendo retomar o ritmo no Estreito de Ormuz, que permaneceu essencialmente fechado durante a guerra.
O acordo assinado nesta semana pelo presidente Donald Trump e o comandante do Irã, Masoud Pezeshkian, visa encerrar uma guerra que começou em 28 de fevereiro com ataques dos EUA e de Israel que mataram o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.
O acordo também tinha como objetivo interromper os combates no Líbano, por insistência do Irã, tornando a campanha militar contínua de Israel na região uma fonte de frustração para Washington.
Novas investidas
As forças militares de Israel informaram na sexta-feira (19) que atacaram mais de 80 alvos do Hezbollah no Líbano e mataram dezenas de membros do grupo apoiado pelo Irã.
O Líbano confirmou que 21 pessoas foram mortas em ataques aéreos israelenses na região sul, enquanto os militares de Israel relataram a morte de quatro soldados, o que gerou reações furiosas em seu próprio país.
Contudo, uma autoridade dos EUA disse à AFP que uma trégua entre Israel e o Hezbollah, com início imediato, foi intermediada por negociadores dos EUA e do Catar após conversas com Israel e o Irã. Um diplomata do Golfo confirmou o acordo de cessar-fogo.
Uma trégua anterior, acordada em abril, no entanto, não serviu para interromper os ataques de nenhum dos lados, e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu havia dito poucas horas antes que o exército israelense permaneceria no Líbano “pelo tempo que for necessário” e faria o Hezbollah, apoiado pelo Irã, pagar um “preço alto” por seus ataques.
O ministro da Segurança Nacional de extrema-direita de Israel, Itamar Ben Gvir, foi ainda mais longe, afirmando após a morte dos soldados que “todo o Líbano deve queimar”.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou Israel de estar interessado apenas em uma “guerra permanente”.
Ataques sabotam acordo
Preparações haviam sido feitas na Suiça para receber as delegações iraniana e americana, lideradas pelo principal negociador de Teerã, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance, no resort suíço de Burgenstock, com vista para o Lago de Lucerna.
As conversas deveriam dar início a um período de dois meses de negociações para discutir questões pendentes que não foram cobertas pelo acordo inicial, principalmente o programa nuclear do Irã.
O Ministério das Relações Exteriores da Suíça confirmou que as discussões foram adiadas, mas declarou que “continua pronto para facilitar estas negociações”.
Citando diplomatas, o Financial Times informou que os ataques de Israel ao Líbano levaram ao adiamento, mas não houve confirmação imediata.
Uma fonte diplomática dos Emirados Árabes Unidos, disse que havia “dois sabotadores” para o acordo, nominalmente, o fato de que Israel “não gostou dele” e que também havia uma oposição de linha dura dentro do Irã.
Resposta esmagadora
Ghalibaf, principal negociador iraniano, disse na sexta-feira que as conversações com os Estados Unidos permaneceriam limitadas pelas “linhas vermelhas” de Teerã.
“Se o inimigo tentar ser excessivo, provamos que nossos dedos estão no gatilho e não hesitaremos em dar uma resposta esmagadora ao inimigo”, disse ele em declarações publicadas pela agência de notícias oficial IRNA.
Enquanto isso, Vance expressou um nível de frustração com o governo israelense que é raro para uma alta autoridade dos EUA, dizendo ao New York Times: “você não pode simplesmente resolver cada problema de segurança nacional que tem na base da morte”.
O líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, que sucedeu seu pai, disse na quinta-feira (18) que havia aprovado o acordo com os EUA, apesar de manter uma “visão diferente”.
Um aspecto fundamental do acordo era a reabertura imediata do Estreito de Ormuz, o ponto de estrangulamento marítimo vital cujo fechamento causou o aumento dos preços globais de energia.
Ormuz
Um total de 25 navios comerciais cruzaram o estreito recém-reaberto na quinta-feira, o maior número desde meados de abril, de acordo com dados da empresa de rastreamento marítimo AXSMarine publicados na sexta-feira.
Um quinto das exportações mundiais de petróleo e gás natural liquefeito passava pelo estreito em tempos de paz, segundo economistas.
As forças americanas suspenderam na quinta-feira seu bloqueio naval paralelo aos portos iranianos, disseram os militares dos EUA, observando que os navios de guerra americanos “permanecerão na área geral”.
A autoridade marítima do Irã disse na sexta-feira que todos os navios que desejam cruzar o Estreito de Ormuz devem enviar uma solicitação de trânsito com “48 horas de antecedência”, apesar de sua reabertura.
*com informações da AFP.
Fonte: Jovem Pan