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Galípolo assume falha na comunicação do Copom, mas diz que papel do BC não é gerar consenso no mercado

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, fala na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, no dia 19 de maio de 2026
Edilson Rodrigues/Agência Senado
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, assumiu, nesta quinta-feira (25), a responsabilidade pela comunicação da última decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que gerou dúvidas no mercado.
O BC informou que, mesmo diante da piora das perspectivas para a inflação nos próximos anos — um dos principais parâmetros para as decisões sobre os juros —, optou por manter o ciclo de queda da Selic na semana passada.
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Sem conseguir dissipar as dúvidas do mercado financeiro, Galípolo afirmou que “a responsabilidade, se o parágrafo não conseguiu transmitir aquilo que a gente queria em um espaço conciso, é absolutamente minha”.
O BC justificou a decisão afirmando que as “melhores práticas” recomendam não reagir integralmente a variações de preços provocadas por choques de oferta.
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Para Felipe Salles, economista-chefe do C6 Bank, o principal ponto da ata, divulgada na última terça-feira (23), foi o fato de o Comitê “afirmar que o balanço de riscos agora apresenta assimetria altista, algo que não havia sido mencionado no comunicado da decisão”.
Segundo o economista, essa mudança sinaliza uma tentativa de adotar um tom mais duro.
No entanto, a ata também traz elementos que apontam na direção oposta. “Apesar de as projeções do Banco Central permanecerem acima da meta no horizonte relevante, o Comitê julgou mais adequado considerar trajetórias de juros que evitassem maior volatilidade”, explica o especialista.
Em outras palavras, a autoridade monetária avaliou que interromper o ciclo de cortes da Selic neste momento poderia representar um aperto excessivo da política monetária, desacelerando a economia além do necessário para controlar a inflação no longo prazo.
“É um caso particular de uma incompreensão, um ruído que foi gerado a partir daquele parágrafo […] que decorre da tentativa de explicar uma série de coisas em um espaço muito apertado e conciso do próprio comunicado”, afirmou Galípolo.
O presidente também ressaltou que “a função do Banco Central não é produzir consenso entre as opiniões do mercado”.
Os dois lados da moeda
Durante entrevista sobre o Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre, Galípolo afirmou que o Banco Central enfrenta hoje dois tipos de pressão: o desgaste provocado pelo nível elevado dos juros e a cobrança por sinalizações sobre os próximos passos da política monetária.
“Existe uma primeira ordem de crítica que vem de setores da economia, da sociedade e da política, inerente ao fato de convivermos há tanto tempo com uma taxa de juros algumas centenas de pontos-base acima da taxa neutra”, explicou.
Segundo ele, a Selic permanece em um patamar significativamente alto desde que assumiu o comando da instituição. “É protocolar que a gente tenha críticas de setores que se contraponham a essa taxa”, reiterou.
Após comentar essa “exaustão” em relação aos juros elevados, Galípolo abordou a segunda fonte de pressão: a demanda do mercado por maior previsibilidade.
“Em momentos de maior incerteza, é normal esse desejo por guidance [sinalização], por indicações do que o Banco Central fará no futuro. É normal esse tipo de pedido, mas nenhum outro banco central está fazendo isso, e nem a literatura recomenda essa prática justamente por causa do ambiente de incerteza”, afirmou.
Segundo o presidente do BC, antecipar os próximos passos da autoridade monetária pode reduzir a eficácia da política de juros.
Por isso, ele defendeu que uma comunicação mais clara não deve ser confundida com a antecipação das decisões futuras. “Uma coisa não pode ser confundida com a outra”, pontuou.
“O Banco Central vai preservar o seu direito de não dar essa informação quando achar que não interessa divulgá-la antecipadamente. Não porque estamos escondendo o que vamos fazer, mas porque essa decisão será tomada daqui a 40 dias, na próxima reunião”, concluiu Galípolo.


Fonte:

g1 > Política

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