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Trump descobriu que é mais fácil bombardear o Irã do que negociar a paz

Donald Trump chegou à Casa Branca prometendo encerrar guerras, não começar novas. Mas, poucos meses após o conflito entre Estados Unidos e Irã sacudir o Oriente Médio, seu governo enfrenta uma realidade que costuma perseguir presidentes americanos há décadas: vencer uma batalha é muito mais simples do que construir uma paz duradoura.

As negociações realizadas na Suíça entre representantes americanos e iranianos revelam exatamente esse desafio. O vice-presidente JD Vance saiu dos encontros afirmando que as conversas criaram uma “base sólida” para um acordo definitivo entre os dois países. Segundo ele, os negociadores conseguiram estabelecer os alicerces de uma solução permanente, embora ainda estejam longe de concluir o trabalho.

A metáfora usada por Vance é reveladora: “O acordo final é a casa. Nós apenas construímos a fundação.” O problema é que essa casa está sendo construída sobre um terreno extremamente instável. A primeira dificuldade atende pelo nome de Estreito de Hormuz. Por ali passa uma parcela significativa do petróleo consumido pelo mundo. O acordo firmado entre Washington e Teerã previa a reabertura da rota marítima e a normalização do fuxo comercial. Mas, nos últimos dias, surgiram novos questionamentos sobre a real situação da passagem, mostrando como a questão continua sendo uma poderosa ferramenta de pressão nas mãos do regime iraniano.

A segunda dificuldade está no Líbano. Embora o acordo entre americanos e iranianos tenha criado mecanismos para reduzir tensões e estabelecer canais de comunicação sobre o conflito na região, Israel e Hezbollah continuam representando uma ameaça permanente à estabilidade do entendimento negociado na Suíça. Na prática, Trump descobriu um velho problema da diplomacia americana: mesmo quando Washington e Teerã conversam, o Oriente Médio continua produzindo crises paralelas capazes de colocar tudo a perder.

Existe ainda uma terceira questão: a política interna dos Estados Unidos.Trump passou anos atacando o acordo nuclear firmado por Barack Obama em 2015. Chamou o entendimento de desastre. Disse que era um dos piores acordos da história americana. Prometeu substituí-lo por algo muito melhor. Agora, ironicamente, seu governo tenta construir um acordo próprio com os iranianos.

E isso cria uma situação delicada. Se fizer concessões demais, será acusado por parte dos conservadores de reeditar a política de Obama. Se endurecer demais, corre o risco de inviabilizar as negociações e reabrir o caminho para um novo confronto militar.

Outro elemento chama a atenção. O governo americano já começou a oferecer incentivos para manter os iranianos na mesa de negociação. Entre eles estão flexibilizações temporárias de sanções econômicas, discussões sobre ativos iranianos congelados e a retomada das inspeções nucleares internacionais. É justamente aí que começa o teste mais difícil para Trump.

Durante a campanha, o presidente vendeu a ideia de que seria capaz de impor condições duras ao Irã e, ao mesmo tempo, alcançar um acordo melhor do que qualquer um de seus antecessores. Agora chegou a hora de provar.

O sucesso das negociações não será medido pelos discursos feitos em Washington ou pelas declarações após reuniões na Suíça. Será medido por três perguntas simples: o Irã aceitará inspeções efetivas em seu programa nuclear? O Estreito de Hormuz permanecerá aberto? E a guerra paralela entre Israel e Hezbollah deixará de ameaçar a região?

Se a resposta for sim, Trump poderá afirmar que conseguiu algo que seus antecessores não alcançaram. Mas se qualquer uma dessas peças sair do lugar, o acordo corre o risco de enfrentar o mesmo destino de muitos outros entendimentos assinados no Oriente Médio: muita expectativa, muita diplomacia e pouca estabilidade. Porque fazer a guerra dura semanas. Fazer a paz pode levar anos.


Fonte: Jovem Pan

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