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Suprema Corte barra tentativa de Trump de afastar integrante do Fed

Em uma decisão apertada de 5 votos a 4, a Suprema Corte dos Estados Unidos negou ao presidente Donald Trump o pedido para afastar imediatamente Lisa Cook, integrante do Conselho de Governadores do Federal Reserve (Fed), enquanto o processo judicial sobre o caso continua tramitando.

A decisão mantém em vigor uma liminar emitida por um tribunal inferior que impede a destituição de Cook até que a Justiça analise o mérito da disputa.

O caso teve início após Trump anunciar, em agosto de 2025, a demissão de Lisa Cook, alegando motivos para sua remoção. Cook contestou a decisão na Justiça, afirmando que a lei permite a destituição de membros do conselho do Federal Reserve apenas “por justa causa” e que o presidente não cumpriu os requisitos legais e constitucionais exigidos para esse tipo de medida.

Independência do Fed foi determinante

Na opinião majoritária, a Suprema Corte ressaltou que a independência do Federal Reserve em relação ao controle direto do presidente faz parte de uma tradição histórica consolidada nos Estados Unidos.

Os ministros afirmaram que essa autonomia institucional está “enraizada na história e na tradição da nação”, destacando que a independência do banco central remonta às primeiras instituições financeiras nacionais criadas ainda antes da Constituição americana.

O texto da decisão faz um extenso resgate histórico, lembrando a criação do primeiro Banco dos Estados Unidos, em 1791, e a evolução do modelo que levou à formação do Federal Reserve, reforçando que a estabilidade econômica do país depende da proteção da instituição contra interferências políticas.

Caso ainda será julgado

A decisão desta segunda-feira não encerra a disputa judicial. A Suprema Corte apenas decidiu que Lisa Cook permanecerá no cargo enquanto os tribunais analisam definitivamente se Trump tinha autoridade para removê-la.

O julgamento definitivo deverá definir os limites do poder presidencial sobre integrantes do Conselho de Governadores do Federal Reserve e poderá estabelecer um importante precedente sobre a autonomia das agências independentes do governo federal.

Impacto institucional

A decisão é considerada uma vitória para a independência do banco central americano e reduz, ao menos temporariamente, a possibilidade de interferência direta da Casa Branca na condução da política monetária.

Especialistas avaliam que o resultado preserva a credibilidade institucional do Federal Reserve, cuja independência é vista pelos mercados como um dos pilares da estabilidade financeira dos Estados Unidos.

A votação apertada — cinco ministros favoráveis à manutenção de Cook e quatro contrários — evidencia a divisão da Suprema Corte sobre o alcance da autoridade presidencial sobre órgãos independentes, tema que deverá continuar sendo debatido nos próximos julgamentos.


Fonte: Jovem Pan

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