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Professora grava relato após alunos colocarem vidro em seu copo de água em SP

A professora da rede municipal de ensino de São José dos Campos, Michele Ramos, postou um relato em suas redes sociais, contando que seus alunos colocaram vidro em seu copo de água. O caso aconteceu na terça-feira (30), na Escola Municipal de Ensino Fundamental (EMEFI) Professora Ildete Mendonça Barbosa. 

No relato da educadora, os alunos viram um estudante adicionar o objeto em sua água, falaram para que não bebesse, mas não avisaram da presença do vidro: “Se eu fosse você, eu não beberia essa água, professora.”

A professora da escola localizada no bairro Parque Residencial União, na zona sul de São José dos Campos, em São Paulo, gravou o vídeo quando estava no Hospital de Clínicas Sul, logo após o ocorrido. Ela estava chorando enquanto desabafava:

O menino simplesmente achou que tudo bem ele pegar um pedaço de vidro, colocar no meu copo e se exibir para a sala. A sala viu o que estava acontecendo e ficou de murmurinho em vez de me falar o que estava acontecendo, o que ele tinha colocado.

Limites da profissão

Michele Ramos foi até o centro médico para pegar um atestado de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). Conforme o Portal do Trabalho, Emprego e Previdência, o documento é emitido para registrar um acidente de trabalho, doença ocupacional ou acidente de trajeto. A emissão garante direitos essenciais ao trabalhador, como o auxílio-doença acidentário e estabilidade de 12 meses após o retorno às atividades.

A professora questiona a realidade da profissão e seus limites pessoais, além de interrogar a atual criação das crianças: “Que tipo de educação essas crianças estão recebendo em casa?”

Estou em um limite, já estava num limite e ele vai sempre aumentando, a barra vai sempre subindo, as demandas vão sempre aumentando, cada vez mais coisa, a gente tem que fazer coisas que não são da nossa alçada, que não são da nossa competência, que não estão na nossa atribuição.

Segundo vídeo

Na manhã desta quinta-feira (2), a professora postou um segundo vídeo em sua conta do Instagram, agradecendo o apoio que tem recebido após a publicação do relato. Segundo ela, profissionais da educação têm lhe enviado outras ocorrências de violências que enfrentam diariamente.

Me sentindo firme por estar dando essa voz a tantos outros profissionais da área da educação e servidores públicos que passam por isso diariamente, cotidianamente, por violências diversas de vários tipos.

No segundo relato, a professora denuncia ainda que as crianças e adolescentes estão desenvolvendo problemas e transtornos mentais, e que é necessária a presença das famílias na escola para que isso seja tratado, relatando a pouca atenção da sociedade sobre as atuais gerações.

Essas gerações estão totalmente impactadas pelas redes sociais ou outras coisas, transtornos mentais, tá? Não estamos falando aqui de transtornos com que a criança nasce; são coisas que ela vai desenvolvendo ao longo da vida. Então, assim, atenção da família quanto a isso, a presença da família na vida escolar.

Em seus stories do Instagram, a professora comunicou que foi chamada para uma reunião na Secretaria de Educação e Cidadania de São José dos Campos às 15h desta quinta-feira (2).

A Jovem Pan tentou entrar em contato com a assessoria de comunicação da Secretaria, mas, até o momento desta publicação, não obteve retorno. O canal segue aberto para manifestações.


Fonte: Jovem Pan

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