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STF aponta R$ 22 milhões sob suspeita de desvio em esquema com obras pagas e não executadas

A decisão do ministro Flávio Dino que embasou a operação deflagrada nesta quinta-feira (3) pela Polícia Federal aponta indícios de um suposto esquema de desvio de recursos públicos envolvendo emendas parlamentares destinadas ao município de São Luiz do Anauá, em Roraima.

A Jovem Pan⁠ teve acesso à íntegra da decisão, na qual o ministro descreve um cenário de “gravíssimo risco ao erário”, com suspeitas de fraude em licitações, superfaturamento, pagamentos sem comprovação técnica e possível lavagem de dinheiro.

Segundo a investigação, auditorias da Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram prejuízo potencial superior a R$ 22 milhões apenas nos contratos já analisados. Os relatórios apontam pagamentos por serviços não executados, medições inconsistentes e obras com execução muito abaixo do que foi oficialmente faturado.

Entre os principais achados, a investigação identificou contratos com baixa ou nenhuma concorrência real, propostas vencedoras com descontos considerados irrisórios e forte concentração de contratos em uma única empresa, a TCM Construções Ltda..

A decisão também destaca indícios de direcionamento nos processos licitatórios. Em alguns casos, empresas interessadas relataram dificuldades para acessar editais, enquanto pedidos de envio eletrônico teriam sido negados pela comissão de licitação, restringindo a competitividade.

Outro ponto considerado grave pela investigação é o descompasso entre os pagamentos realizados e a execução física das obras. Auditorias apontaram casos em que serviços foram pagos integralmente, embora parte relevante da obra sequer tenha sido concluída. Em alguns contratos, os registros financeiros indicavam execução próxima ou superior a 100%, apesar de as obras estarem paralisadas.

Para o STF, o conjunto de indícios revela sinais de um possível esquema estruturado para desviar recursos públicos por meio de contratações direcionadas e medições supostamente fraudulentas. A operação desta quinta busca aprofundar a apuração sobre a destinação dos recursos e identificar todos os envolvidos no caso.


Fonte: Jovem Pan

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