Luiz Phillipe Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo apelido de “Sicário” de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltou ao noticiário nesta quarta-feira (15) após uma foto em que aparece ao lado do senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vir a público. Segundo a Polícia Federal (PF), Mourão integrava o núcleo operacional da organização criminosa atribuída a Vorcaro e era responsável por atividades de vigilância, intimidação e obtenção de informações sigilosas.
A foto revelada nesta quarta teria sido registrada em 2022, em um hotel na zona sul do Rio de Janeiro. Em nota, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro declarou que nunca viu Mourão antes e questionou a procedência da fotografia, dizendo que não seria possível descartar o uso de inteligência artificial. A foto, porém, passou por verificações técnicas citadas pela coluna da jornalista Juliana Dal Piva, do site ICL, em parceria com o Centro Latino-americano de Investigación Periodística (CLIP), que não encontraram indícios de manipulação por inteligência artificial generativa.
Flávio Bolsonaro ao lado de Sicário de Vorcaro
De acordo com a PF, Sicário mantinha uma relação direta de prestação de serviços para Vorcaro e exercia um papel considerado central na estrutura conhecida pelos investigadores como “A Turma”. O apelido faz referência ao termo utilizado como sinônimo de assassino de aluguel, embora a investigação utilize a expressão apenas como codinome atribuído a ele.
Segundo o inquérito, Sicário coordenava operações para identificar, localizar e monitorar pessoas ligadas a investigações ou consideradas contrárias aos interesses do grupo. A PF afirma que ele também executava atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas por meio de acessos indevidos a sistemas da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal (MPF), da Interpol e do Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos (FBI).
As investigações ainda apontam que Mourão teria atuado no monitoramento de desafetos de Vorcaro e na condução de ações para “neutralizar situações sensíveis” aos interesses da organização.
Possíveis agressões em jornalista
Mensagens interceptadas pela PF mostram conversas entre Vorcaro e Sicário sobre possíveis agressões a pessoas consideradas adversárias do grupo. Em um dos diálogos, o banqueiro afirma que queria mandar “dar um pau” no jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Em outra conversa, diz que precisava “moer” uma empregada.
A investigação também identificou que a empresa King Empreendimentos Imobiliários e Participações Ltda., ligada a Sicário, recebeu R$ 1 milhão de Vorcaro. Segundo a PF, os repasses seriam mensais.
Outro ponto destacado pelos investigadores é que Mourão teria intermediado contatos entre Vorcaro e influenciadores digitais para tentar influenciar a opinião pública. Conforme o inquérito, a estratégia fazia parte do chamado “Projeto DV”, que buscaria atacar a reputação do Banco Central (BC) durante discussões envolvendo o futuro do Banco Master.
Sicário morreu na prisão
Mourão foi preso preventivamente em 4 de março, durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. A operação também levou à prisão de Vorcaro, de seu cunhado Fabiano Zettel e do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva. A Justiça determinou o bloqueio de bens que chega a R$ 22 bilhões.
Dias após a prisão, Sicário atentou contra a própria vida enquanto estava sob custódia na Superintendência Regional da Polícia Federal em Minas Gerais. Ele foi socorrido ao Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde teve a morte confirmada.
Posteriormente, a PF concluiu o inquérito sobre o caso e informou que não houve interferência externa na morte. Segundo a corporação, o enforcamento foi registrado integralmente pelas câmeras de segurança da unidade, sem pontos cegos, e o relatório final foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Relação com Flávio Bolsonaro
A divulgação da fotografia de Sicário ao lado de Flávio Bolsonaro acontece meses após outras revelações envolvendo o senador e Vorcaro. Reportagens do portal The Intercept revelaram que o banqueiro negociava o financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, e trocou mensagens com Flávio antes de ser preso.
O senador também confirmou que visitou Vorcaro após a primeira prisão do dono do Banco Master para tratar do futuro do financiamento da produção. Flávio, contudo, relata que não possui qualquer relação com Sicário e sustenta que a fotografia divulgada não comprova vínculo entre os dois.
Ajuda
Caso você tenha pensamentos suicidas, procure o CVV (Centro de Valorização da Vida) e os Caps (Centros de Atenção Psicossocial) da sua cidade.
O CVV funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, e também atende por e-mail, chat e pessoalmente.
Fonte: Jovem Pan