Se Liga Cacoal – Header
.

Em fracasso diplomático do governo Lula, Estados Unidos confirmam tarifaço de 25% sobre o Brasil

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, confirmou nesta terça-feira (14) a aplicação de tarifas adicionais de 25% sobre uma parcela relevante das exportações brasileiras ao mercado americano, enterrando de vez um processo de negociação que o governo Lula tentou conduzir por meses sem conseguir reverter a medida. A informação foi pautada com exclusividade pelo Conexão Política.
O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, declarou encerradas as negociações após a última reunião com a delegação brasileira e afirmou que teria faltado empenho do governo brasileiro nas tratativas. A avaliação foi contestada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e pelos embaixadores Mauricio Lyrio e Audo Faleiro, que afirmaram que os Estados Unidos não apresentaram argumentos técnicos suficientes para sustentar a investigação aberta com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana.
Foto: ABr
O que está em jogo
A tarifa de 25% pode atingir até 21% do valor total das exportações brasileiras ao mercado norte-americano, segundo estimativas do setor. A lista de exceções preserva produtos estratégicos, a exemplo do café, além de determinados metais, produtos energéticos e componentes aeronáuticos foram mantidos fora do alcance da medida.
Greer informou que não haverá uma lista dinâmica de exceções, o que significa que os produtos não incluídos na isenção inicial não poderão ser retirados posteriormente sem nova negociação. O Brasil havia proposto a redução das tarifas de importação aplicadas ao etanol norte-americano em troca de maior acesso do açúcar brasileiro ao mercado dos EUA, alternativa rejeitada pelo USTR durante as conversas.
Posição do governo brasileiro
Brasília entrou nas negociações finais sem alimentar ilusões sobre um acordo de última hora. A avaliação predominante dentro do governo era que o intuito já não era impedir a tarifa, mas garantir que o texto americano preservasse canais diplomáticos, permitisse mudanças futuras na lista de produtos atingidos e deixasse claro que a decisão poderia ser revista caso houvesse avanço nas tratativas.
Um dos pontos de atrito foi a acusação americana de aumento do desmatamento no Brasil. A delegação brasileira contestou o uso do assunto como justificativa comercial, argumentando que os dados relacionados à Amazônia não confirmam a avaliação apresentada pelo USTR. O corpo jurídico do Executivo estuda acionar a Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado após a primeira ameaça americana de sobretaxa de 50%, que confere ao Estado brasileiro o poder de retaliar comercialmente nações que criem restrições sem fundamento técnico contra produtos brasileiros.
Fracasso diplomático
A confirmação do tarifaço recai sobre Lula 3 como o maior fracasso de política externa desde o início do mandato, num momento em que o Brasil enfrenta eleição presidencial em outubro, com Lula empatado no segundo turno com Flávio Bolsonaro.
A decisão americana isola o Palácio do Planalto. Argentina, Paraguai, Colômbia e Equador estão alinhados com Washington, enquanto o Brasil é o único grande país sul-americano sem acesso preferencial ao mercado norte-americano.


Fonte: Conexão Política

Destaques