O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não participará das cerimônias de posse da presidentes eleita do Peru, Keiko Fujimori, e de Abelardo de la Espriella, eleito na Colômbia. A informação foi dada pela Folha de São Paulo e confirmada pela Jovem Pan.
Segundo fontes do Palácio do Planalto, Lula não vai aos eventos por estar mais focado em cumprir a agenda no Brasil e das demandas nacionais.
A ausência de Lula nas posses acontece em um momento de mudança política em ambos os países. Tanto o presidente eleito da Colômbia, quanto a do Peru, são líderes de direita. Assim, o Brasil passa a ser o único grande país da América do Sul a ser governado por um presidente de esquerda.
Na época, Lula parabenizou a vitória dos dois candidatos eleitos. “Desejo-lhe pleno êxito na condução de seu mandato e na importante tarefa de agregar o povo peruano em torno de um projeto comum de desenvolvimento”, disse Lula à Fujimori, e afirmou que o Brasil está pronto para “avançar numa agenda bilateral ambiciosa”.
Para De la Espriella, Lula celebrou o processo democrático que elegeu o colombiano e reafirmou a relação entre os países. “A amizade entre o Brasil e a Colômbia, que transcende ideologias, é fundamental para a superação de desafios comuns. Que sigamos trabalhando juntos em benefício dos nossos povos”, finalizou.
Ainda não se sabe se Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores do Brasil, ou outro integrante do governo, vai representar o Brasil nas posses de Fujimori, no próximo dia 28 de julho, e de la Espriella, em 7 de agosto.
Desavenças na Colômbia
A troca de poder na Colômbia está sendo marcada por desavenças. No dia 13 de julho, o presidente da Colômbia, o esquerdista Gustavo Petro, proibiu que Abelardo De la Espriella tome posse em uma instalação militar, quando a lei estabelece que a cerimônia aconteça no Congresso, em Bogotá.
Sem maioria própria no Legislativo, o ultradireitista De la Espriella pediu ao novo Congresso, que iniciou a nova legislatura em 20 de julho, que autorize a realização da cerimônia de posse em uma guarnição militar, uma proposta alinhada com seus discursos a favor das forças de segurança.
“No exercício de minhas faculdades constitucionais e legais, ordeno que nenhum estabelecimento militar sirva para uma posse de um presidente da República da Colômbia”, afirmou Petro na rede social X.
Analistas e juristas consideram complicada a logística para deslocar os congressistas até a base militar para o juramento.
Petro, que afirma ter provas de fraude no segundo turno eleitoral e convocou uma manifestação para 20 de julho, destacou que “os quartéis militares e policiais estão sob minhas ordens até o momento em que o novo presidente prestar juramento”.
“E, portanto, até este momento sou o comandante supremo das forças militares. Nenhum oficial presta continência a um civil, exceto quando este é seu comandante supremo”, acrescentou.
O mandatário afirmou: “Que Abelardo não me dê a mão é, mais ou menos, um elogio, mas obedeço às leis da Constituição de 1991”.
Petro afirmou ainda que “nos quartéis não se fazem leis, se fazem ações de segurança de defesa do povo e de sua vida” e, “enquanto eu for presidente, defendo as leis e a Constituição de um povo soberano”.
De la Espriella derrotou o candidato apadrinhado por Petro, Iván Cepeda, por uma margem mínima.
Tensão no Peru
Já no Peru, o candidato de esquerda que disputou as eleições presidenciais, Roberto Sánchez, reconheceu, no dia 6 de julho, ao lado de seu partido, Juntos pelo Peru, a derrota nas urnas para a conservadora Keiko Fujimori.
A confirmação aconteceu apenas três dias depois da Comissão Nacional Eleitoral do país declarar a vitória à candidata. “Reconhecemos que a Comissão Nacional Eleitoral proclamou oficialmente os resultados eleitorais”, diz o comunicado.
No texto, porém, ele também afirmou que o reconhecimento da vitória da oponente não é deixar de criticar o que acredita ter acontecido de errado no curso das eleições. “Isso não implica renúncia ao direito de sinalização e denúncia das irregularidades que se apresentam durante o processo eleitoral, quen sem conhecimento público, afetam o processo eleitoral desde o início”, declarou.
Ainda no dia no dia 23 de junho, Sánchez já havia informado que não reconheceria uma possível vitória de sua rival, caso a Junta Nacional Eleitoral do Peru não atendesse ao seu pedido de anulação dos votos de peruanos residentes no exterior, devido a uma suposta violação da lei eleitoral.
Na ocasião, Sánchez afirmou em coletiva de imprensa que havia uma “fraude em curso” que teria ocorrido em repartições consulares onde mais de 300 mil peruanos votaram em 7 de junho, devido à falta de digitalização das atas de apuração.
Fonte: Jovem Pan