Pular para o conteúdo
Destaques Geral

Ministro diz que Brasil vai usar reciprocidade quando for necessário: ‘Precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo’

3 minutos de leitura

Tarifaço de 25% de Trump sobre produtos brasileiros entra em vigor O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta-feira (21) que o instrumento aprovado pelo Congresso Nacional que permite ao Brasil adotar reciprocidade nas relações comerciais com os Estados Unidos é “diferente de retaliação e de vingança”.

Em entrevista à rádio Bandeirantes FM, ele afirmou que o Brasil “vai usar esse instrumento, mas quando for adequado, quando for necessário”.

“O problema é que precisamos primeiro dimensionar qual a medida que eventualmente poderia corresponder à uma reciprocidade. Segundo, se ela não poderia produzir um efeito negativo, reflexo. Se o prejuízo não poderia ser maior aqui do que lá. Se você for adotar a reciprocidade, precisa ferir o adversário, não apenas irritá-lo”, declarou o ministro.

A declaração foi dada no primeiro dia de vigência da tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao país. 🔎A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais “injustas”, o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia.

A medida de aplicação das tarifas foi anunciada após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA.

Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos PIX e a regulação de plataformas digitais.

As justificativas foram amplamente contestadas pelo governo brasileiro, que considera a medida uma tentativa de interferência em temas internos e considerados inegociáveis. A avaliação em Brasília é de que a tarifa tem motivação política.

A nova taxa deixa de fora uma extensa lista de produtos, incluindo petróleo, café e carne bovina. Por outro lado, setores como os de etanol, máquinas agrícolas e papel serão afetados pela medida.

Apesar de dizer que o Brasil vai usar a reciprocidade quando for adequado, Márcio Elias defendeu a continuidade das negociações com os Estados Unidos a respeito do tarifaço.

“Não é razoável que não tenhamos acordo. Não podemos de maneira alguma alimentar o dissenso. A despeito do desaforo, temos de continuar na mesa de negociação tentando trazer de volta”, afirmou o ministro.

Em sua visão, o tarifaço não seria revogado com a eventual eleição de um governo de direita no Brasil.

“O governo Trump quer reintroduzir sua indústria e comércio, e, para isso, é preciso submeter os outros a um regime de restrição tarifária. Fez ontem [terça] 50% de tarifa com o Canadá, e também com medicamentos genéricos, para reindustrializar os EUA”, avaliou.

Tarifaço redesenha mapa das exportações brasileiras; vendas para a China bateram recorde Jornal Nacional/ Reprodução Início do tarifaço dos EUA O ministro Márcio Elias, do Desenvolvimento, afirmou ainda que a tarifa adicional dos Estados Unidos de 25% que tem início nesta quarta-feira tem muito mais um “caráter de sanção, como se o brasil tivesse feito algo errado, que não fez, do que regulação de mercado”.

Ele lembrou que o Brasil é um dos poucos países que têm déficit comercial com os norte-americanos nos últimos anos.

O ministro disse, também, que o Brasil vem reduzindo o desmatamento e combatendo a pirataria, pontos questionados pelos EUA na investigação sobre o país.

“Quando o outro lado não se conecta com a realidade, fica difícil. Quando as questões são meramente comerciais ou econômicas, teríamos chegado a um consenso um acordo. Do lado dos EUA, sempre foram ideológicas ou políticas”, avaliou o ministro.


Fonte:

g1 > Política