A data do primeiro debate entre os candidatos à Presidência está próxima.
Outro “debate” já se instalou antecipadamente: será que os nomes mais bem posicionados nas pesquisas, Lula e Flávio, devem ou não participar? Essa decisão depende dos cálculos políticos estabelecidos pelas assessorias de um e de outro.
No caso de Lula, um bom motivo para se ausentar é a possibilidade de ser o único candidato da esquerda presente nos debates. Por isso, provavelmente, teria de se confrontar com praticamente todos os adversários, principalmente Caiado e Zema. Ou seja, seria a principal vidraça, aquela que todos teriam interesse em atacar.
Flávio também virou alvo
Pelo menos em tese, já que, nos últimos tempos, tanto Caiado quanto Zema intensificaram as críticas ao candidato do PL. Nada impede, portanto, que se comportem da mesma maneira nos debates. Alguns desses adversários imaginam que, enfraquecendo Flávio, poderiam conquistar parte do seu eleitorado.
Não se sabe ainda ao certo quais serão os participantes. A legislação assegura presença aos candidatos de partidos com representação mínima de cinco parlamentares no Congresso Nacional. Os demais poderão comparecer por convite das emissoras.
Motivos de Flávio
A ausência de Flávio se justificaria por outros motivos. Se Lula não comparecer e o candidato do PL continuar bem avaliado nas pesquisas, a falta do adversário mais forte seria um bom pretexto para não correr o risco de se desgastar. Nessa situação, com a ausência dos dois nomes de maior expressão, a audiência do debate seria reduzida, tirando o peso do seu não comparecimento.
Os dois precisam pesar e sopesar os prós e contras. Devem avaliar com boa margem de certeza os benefícios e prejuízos que a ausência poderia lhes trazer. Talvez seja mais conveniente receber uma ou outra crítica e até ser chamado de fujão, mas não se desgastar tanto no confronto com os oponentes. Não é uma decisão simples, pois há divergências de opinião dentro dos próprios partidos.
Muitos já faltaram
Há precedentes que justificam a ausência de candidatos nos debates. E muitos. Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, em 1998, liderava as pesquisas de intenção de voto com boa margem. Julgou mais adequado não comparecer. As emissoras acabaram não realizando os encontros. Como venceu a eleição no primeiro turno, o ano terminou sem debates presidenciais.
Lula seguiu parte da cartilha. Em 2006, liderava com folga a corrida presidencial. Decidiu não comparecer aos debates do primeiro turno, inclusive ao programado pela Globo. O fato curioso é que o lugar reservado a ele no palco ficou vazio. Esse episódio gerou muitas críticas. No segundo turno, porém, mudou a estratégia e debateu com Geraldo Alckmin.
Outras ausências
Em 2022, Lula repetiu a fórmula. Deixou de participar de alguns debates. Compareceu apenas aos encontros programados pela Band e pela Globo. E mais uma vez venceu as eleições. A disputa foi acirrada e o resultado bastante apertado. Não dá para saber hoje qual teria sido o desfecho, mas, pelos números espremidos entre Lula e Bolsonaro, talvez o petista até poderia ter sido derrotado caso se ausentasse.
Um caso curioso ocorreu em 2018. Depois de ter participado de dois debates, Bolsonaro levou a facada em Juiz de Fora e não pôde comparecer aos outros do primeiro turno. No segundo turno, inicialmente ainda estava impedido por razões médicas. Na reta final, embora continuasse se recuperando, foi liberado para participar, caso quisesse. Preferiu adotar a estratégia de se ausentar e não debater com Fernando Haddad. Pelo menos à luz do resultado, parece ter sido uma boa decisão: venceu o pleito sem se expor ao confronto.
Decisão delicada
Esse questionamento dos candidatos sobre a conveniência de comparecer ou não exige muita reflexão e análise política. Um equívoco poderá ser fatal para as pretensões dos candidatos. Os dois possuem bons argumentos para promover a própria candidatura, mas, ao mesmo tempo, não estão isentos de pontos vulneráveis.
Em um ambiente político polarizado como poucas vezes se viu em eleições passadas, os eleitores estão mais vigilantes e experimentados. Respostas evasivas, críticas sem fundamento ou deslizes na argumentação poderão comprometer a imagem do candidato e até contribuir para a sua derrota. Terão de decidir rapidamente. Vamos acompanhar. Siga pelo Instagram: @polito
Fonte: Jovem Pan