Se Liga Cacoal – Header
.

Anuário da Violência: Mortes cometidas por policiais crescem 5% em 2025; total de policiais mortos cai 3%

Anuário da Segurança: feminicídios batem recorde,taxa de assassinatos é a menor desde 2012
As mortes provocadas por policiais em serviço no Brasil cresceram 5,4% em 2025, chegando a 6.602 vítimas — o maior número absoluto desde o início da série histórica, em 2016, segundo o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) nesta quinta-feira (23)
As chamadas mortes decorrentes de intervenção policial (MDIP) já respondem por 16,2% de todas as mortes violentas intencionais (MVI) registradas no país, a maior participação desde que esse indicador passou a ser calculado, em 2014. Entre 2016 e 2025, o crescimento acumulado foi de 55,7%.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
No sentido oposto, o número de policiais civis e militares mortos caiu de 144 para 139 em 2025, redução de 3,5%.
A queda, no entanto, esconde realidades distintas: enquanto as mortes de PMs recuaram, as de policiais civis subiram.
O suicídio segue sendo a principal causa de morte entre os profissionais de segurança. Embora os registros tenham caído 12,7% em 2025 (passando de 126 para 110 casos), o número de policiais que tiram a própria vida ainda é muito superior ao número daqueles que morrem em confrontos durante o serviço. O perfil dos policiais mortos é majoritariamente de homens (98,2%), negros (61,8%) e com idade entre 30 e 49 anos.
O crescimento da letalidade policial em 2025 foi impulsionado, em parte, pela Operação Contenção, deflagrada em outubro no Complexo da Penha, no Rio de Janeiro, e apontada por pesquisadores como a ação policial mais letal já registrada no país: 122 mortos, sendo 5 policiais.
A operação sozinha respondeu por 15% de todas as mortes provocadas pela polícia fluminense no ano e por 2% do total nacional. Ela também empurrou o Rio de Janeiro para o topo do ranking de agravamento na vitimização de policiais: as mortes violentas de PMs e PCs no estado saltaram de 28 para 51 (+82,1%).
Mais de 8 mil pessoas morreram vítimas de ações policiais no RJ desde 2019; aumento foi de 13,8% em 2025
Policiais civis durante operação no Jacarezinho, Zona Norte do Rio
Ricardo Moraes/Reuters
As conclusões do Anuário de Segurança Pública de 2025:
Os feminicídios bateram recorde em 2025, o que vai na contramão da redução das mortes violentas como um todo. Quatro mulheres foram mortas por dia, em média;
O Brasil registrou o menor número de assassinatos desde 2012, quando começou o levantamento do Fórum. Foram 40.775 vítimas, queda de 8% em relação a 2024 (VEJA MAPA das cidades e estados mais violentos);
O país teve, pela primeira vez, taxa de mortes violentas abaixo de 20: ficou em 19,1. É o menor número registrado no histórico feito pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública;
Outros indicadores de violência contra a mulher registraram alta: mais casos de violências psicológicas (17%), stalking (30%), descumprimento de medida protetiva (17%) e ameaças (0,5%). O Brasil teve três tentativas de feminicídio para cada crime consumado ao longo de 2025;
As dez cidades mais violentas no país ficam no Nordeste, metade na Bahia. Maranguape (CE) lidera ranking pelo 2º ano seguido e foi o único município a superar a taxa de 100 mortes violentas por 100 mil habitantes;
Santa Catarina registrou 7,6 mortes violentas por 100 mil habitantes e se tornou o estado com a menor taxa do país. São Paulo ocupava essa posição desde 2014;
As mortes cometidas por policiais aumentaram 5% no ano passado, enquanto o número de policiais mortos caiu 3%;
Os registros de produção, posse ou distribuição de conteúdos de abuso sexual infantil cresceram 25%;
Os casos de bullying e cyberbullying cresceram mais de 60% entre jovens. Isso ocorre após a criação de tipo penal específico, em 2024;
A quantidade de adolescentes que cumprem medida socioeducativa no Brasil caiu 54% em 9 anos: são 12,2 mil jovens, a maioria meninos (93%), negros (74%) e entre 16 e 18 anos (76%). As ocorrências mais comuns são roubo (29%) e tráfico de drogas (28%);
O número de pessoas no sistema prisional cresceu 6% e chegou a 964 mil. O estudo prevê que, se for mantida a tendência, o Brasil pode bater 1 milhão de presos já em 2027;
Há 2,1 milhões de empresas e pessoas autorizadas a ter armas — desse total, 1 milhão têm licença de CAC (Caçadores, Atiradores e Colecionadores) — e 1,6 milhão de armas cadastradas. Três em cada 10 armas estão com registro vencido.


Fonte:

g1 > Política

Destaques