Quem abrisse a edição de “A Tribuna”, jornal de Santos, do dia 25 de julho de 1956, iria se deparar com a seguinte manchete: “Contratou o Santos, um moço que promete ser um ‘crack’.” O texto, apesar de curto, tem um valor histórico imenso para o futebol brasileiro e mundial: “A reportagem esteve, ontem [24 de julho de 1956], pela manhã assistindo à movimentação do plantel do Santos F.C. Nos 40 minutos de atividades dos profissionais, destacou-se, sobremaneira, o meia-direita que formou na equipe de suplentes, com um trabalho sóbrio, porém de boas qualidades técnicas, impressionando, assim, favoravelmente, a todos que lá estiveram, e principalmente a direção técnica do campeão paulista de 1955. (…).”
No segundo parágrafo, o jornal identificou o jovem jogador: “Após o coletivo, a reportagem se movimentou e apurou tratar-se do jovem Edson Arantes do Nascimento, com 16 anos de idade, estudante, que procedia de Bauru, sem estar vinculado a qualquer agremiação esportiva. (…).” A nota não deixava escapar nada, dizia que o Santos estava se entendendo com o pai de Pelé, Dondinho, para que Edson fosse contratado. “A Tribuna” cita ainda Waldemar de Brito, grande atacante do passado, que disputou a Copa de 1934, e que era o responsável pelos juvenis do Bauru Atlético Clube. O jornal o chama de “orientador intelectual da grande promessa futebolística”. “(…) Tudo assentado, Edson Arantes do Nascimento, (conhecido por Pelé), foi contratado pelo campeão paulista de 1955. Receberá o jovem, Cr$6.000,00 mensais e estudará em um dos colégios de nossa cidade, às expensas do Santos F.C. em curso ginasial (…)”, destacava o texto. Waldemar de Brito declarou que estava “lapidando” Pelé, desde que a futura promessa do futebol tinha 13 anos.
Depois de 70 anos, a história foi resgatada pelo jornalista e pesquisador Nelson Coltro, que publicou nas redes sociais os recortes de jornal com as referências a Pelé.
Em 1978, às vésperas da Copa, na Argentina, Waldemar de Brito concedeu uma entrevista histórica a Wanderley Nogueira. Raridade no “Memória da Pan”.
Fonte: Jovem Pan