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Brasil caminha para atingir a marca de 1 milhão de pessoas presas em 2027

Anuário da Segurança: feminicídios batem recorde,taxa de assassinatos é a menor desde 2012
O Brasil pode atingir a marca de 1 milhão de pessoas presas em 2027, caso se mantenha o ritmo de crescimento da população carcerária visto nos últimos anos, conforme os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). A edição de 2026 foi divulgada na quinta-feira (23).
Em 2025, a população prisional chegou a 964.668 pessoas, somados os presos em penitenciárias e em delegacias. O número aumentou 6% em relação ao ano anterior. Na última década, houve um aumento médio de 3,3% por ano.
Uma projeção feita pelo g1 e validada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública aponta que um crescimento médio de aproximadamente 2% neste ano e em 2027 — inferior ao da última década — já seria suficiente para que o país atingisse 1 milhão de encarcerados.
Segundo David Marques, gerente de programas do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a análise da série histórica confirma a tendência ininterrupta de crescimento do número de presos no Brasil, em um sistema que está superlotado.
“Isso é muito característico da política criminal brasileira, uma população prisional que segue crescendo, num sistema prisional que não tem o número de vagas adequado”, afirma.
Entre 2000 e 2025, o número de pessoas privadas de liberdade aumentou 314,5%. Considerando apenas o período entre 2016 e 2025, o total passou de 722.120 para 964.668 detentos em penitenciárias e delegacias.
Média anual de aumento de encarcerados foi de 3,3% em 10 anos.
Arte g1
Enquanto a população prisional aumenta, o número de vagas disponíveis no sistema prisional era de 679.763 no último ano – déficit de 281.213 vagas. Essa realidade, segundo o relatório, torna mais difícil a reintegração social das pessoas encarceradas.
“No sistema superlotado, as estruturas, as políticas, os direitos e garantias que deveriam existir dentro do cárcere não são oferecidos de fato”, diz Marques.
Outro dado apontado pelo Anuário é que, nos últimos anos, cerca de um em cada quatro presos no Brasil ainda aguardava julgamento, quadro que revela um desequilíbrio entre a capacidade de prender e a de julgar no tempo hábil e agrava o problema da superlotação.
Número de mulheres presas aumenta 44% em 10 anos
Os homens continuam sendo a ampla maioria, representando 94% da população carcerária. Ainda assim, o Brasil registrou um recorde de 57.222 mulheres privadas de liberdade, o maior número desde o início da série histórica, em 2016. Em 10 anos, a população prisional feminina cresceu 43,7%, acima do percentual registrado entre os homens, de 36,4%.
Justiça determina interdição parcial do Presídio de Alfenas por superlotação e falhas estruturais
EPTV/Reprodução
Segundo o Anuário, esse crescimento reforça a necessidade de políticas específicas para atender às demandas das mulheres privadas de liberdade, em um sistema estruturado para uma população majoritariamente masculina.
O perfil da população carcerária também revela desigualdades. Em 2025, 69,6% das pessoas presas eram negras, o maior percentual da série histórica, enquanto 29,2% eram brancas, o menor índice registrado desde o início da coleta. Pessoas amarelas representavam 0,9% da população prisional, e indígenas, 0,3%.
Mortes no sistema prisional sobem 241% em 10 anos
O estudo também aponta um crescimento expressivo das mortes registradas dentro do sistema prisional. Entre 2016 e 2025, 23.942 pessoas morreram em unidades prisionais brasileiras, considerando todas as causas, um aumento de 241%. Somente em 2025, foram registradas 3.318 mortes, o maior número de toda a série histórica.
Mortes por problemas de saúde e causas naturais são as mais recorrentes, o que, segundo o relatório, indica falhas no acesso à atenção básica, à prevenção de doenças e ao atendimento ambulatorial e hospitalar.
O relatório também destaca o crescimento das mortes registradas por causas desconhecidas, com alta de 1.422% entre 2016 e 2025, indicando fragilidades na investigação e na identificação das circunstâncias desses óbitos.
Mais de 10 mil presos com deficiência e 70% dos presídios sem acessibilidade
Em 2025, o Brasil contabilizou 10.218 pessoas privadas de liberdade com algum tipo de deficiência, número superior ao registrado no ano anterior, quando eram 9.799.
Apesar disso, a infraestrutura das unidades prisionais permanece distante dos padrões de acessibilidade estabelecidos pela norma brasileira. Segundo o levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, quase 70% dos 1.532 estabelecimentos prisionais não possuem qualquer módulo ou cela adaptados. Outros 17,3% apresentam alguma adequação, enquanto menos de 15% estão totalmente adaptados.
O Anuário também avaliou os programas de laborterapia (abordagem terapêutica que utiliza atividades ocupacionais e laborais para reabilitação física, mental ou social), considerados uma das principais estratégias de reintegração social das pessoas privadas de liberdade. Embora o número de participantes tenha crescido 13,2% em relação a 2024, apenas 21,6% da população prisional estava inserida em atividades dessa natureza em 2025.


Fonte:

g1 > Política

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