Após uma série de embates com Donald Trump, além de uma semana em que governo federal já havia convocado o embaixador argentino para protestar contra as declarações de Javier Milei na convenção do PL, o presidente brasileiro abriu uma nova frente de atrito diplomático, desta vez com o Paraguai.
A crise nasceu de uma frase dita na sexta-feira (24), no interior de São Paulo, quando Lula defendia investimentos militares. “Nós gostamos da paz, mas não podemos esquecer que, um belo dia, o Paraguai decidiu invadir o Brasil.”
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A formulação ignorou a cadeia histórica que antecedeu o conflito e foi recebida em Assunção como uma tentativa de reescrever o ponto mais traumático da história paraguaia.
O presidente da Câmara dos Deputados do Paraguai, Raúl Latorre, do Partido Colorado, reagiu em comunicado institucional publicado neste domingo (26). “Lula, você está falando com leveza excessiva sobre a maior tragédia da nossa história, o maior genocídio do nosso continente”, escreveu. “A Guerra da Tríplice Aliança teve seu início com a intervenção militar do Brasil no Uruguai e deixou o Paraguai devastado, com a perda de cerca de 60% da população e de 90% dos homens.”
O deputado Rubén Rubin, da oposição, foi além. “Juro que enquanto eu representar o meu país, defenderei com bravura os interesses da pátria. Se não podemos responder com firmeza a estupidez que Lula disse, muito menos seremos capazes de negociar com coragem nosso excedente energético ou garantir a nossa navegação na hidrovía. Depois da guerra, a situação era complexa. O Brasil saqueou a capital, violou as nossas mulheres e tomou o Palácio de López. Hoje, a nossa história nos exige romper com essa tendência. Querer distorcer a nossa história não é algo menor. Quem cala, consente.”
A crise com o Paraguai tem dois agravantes. O primeiro é que o Brasil já convivia com atrito aberto com os Estados Unidos, que formalizaram o tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros em 22 de julho, e com a Argentina, cujo embaixador foi convocado após as declarações de Milei. O segundo agravante é o Itaipu. As negociações sobre o excedente energético da usina binacional.
Fonte: Conexão Política