Um número expressivo de argentinos acredita que exista um movimento “anti-Argentina”, segundo um estudo realizado pela Trepuntozero, noticiado pelo jornal argentino Clarín nesta quarta-feira (29).
Segundo a pesquisa, a maioria acredita que o principal motivo da campanha é a inveja das conquistas esportivas relacionadas às conquistas da seleção argentina.
Dos 79,1% que acreditam na conspiração, 69,1% acham que ela acontece de forma organizada. A Tresupuntozero é uma consultoria política, dirigida pela analista Shila Vilker, que, segundo a publicação, é atualmente mais alinhada a grupos de oposição. A pesquisa foi realizada entre os dias 23 e 24 desse mês, com 1000 entrevistados, com margem de erro de mais ou menos 3,2%.
Entre os países que mais odeiam a Argentina, a população acredita que seu maior “hater” é a Inglaterra, com 27%. O Brasil aparece na lista apenas em sexto lugar, com 7,1%, atrás de Espanha (18,2%), México (14,5%), Chile (10,7%) e EUA (7,9%).
O estudo também aponta que o maior motivo de crítica à Argentina são as conquistas recentes da seleção Albiceleste (Copa América de 2021, 2024 e a Copa do Mundo de 2022), com 35,2%.
Em segundo lugar, os argentinos acreditam que “ódio” está ligado ao governo atual de Javier Milei. Apenas 11,2% acham que o motivo seja a ideia de que argentinos são racistas.
Entre os entrevistados, 57,1% acreditam que a resposta do governo Milei em relação a essa situação foi ruim ou muito ruim.
Falas de Milei
O presidente da Argentina, Javier Milei, acusou o Brasil de ter financiado a suposta campanha “anti-Argentina”, em entrevista a uma rádio argentina, Radio Mitre. Durante a entrevista neste domingo (26), Milei insinuou a existência de uma conspiração para manchar a imagem da Argentina em meio à Copa do Mundo e seu governo.
Sabe quem investiu mais dinheiro nesta campanha anti-Argentina? Foi o governo brasileiro. 25% dos recursos saíram do governo do Brasil.Javier Milei
Milei ainda acusou, sem provas, o México de Claudia Sheibaum e o Partido Democrata americano de fazerem parte do financiamento. A fala veio após o argentino participar de uma convenção do PL em São Paulo, que anunciou oficialmente a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência. Ainda sobre o Brasil, Milei questionou as falas do governo Lula sobre a participação no evento.
Eles vêm falar sobre interferência, quando eles tiveram um papel ativo na campanha de 2023. Ou vocês esqueceram que os assessores de Massa eram um grupo de brasileiros enviados por Lula?Javier Milei
Sergio Massa concorreu com Milei durante o segundo turno das eleições de 2023. O presidente argentino também dobrou a aposta e voltou a chamar Lula de ex-presidiário, e criticou o fato de não poder visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar.
Miliei argumenta que Lula visitou a “ré” Cristina Kirchner em julho de 2025 sem restrições, enquanto ele não pode ver seu “amigo”.
Fonte: Jovem Pan