É comum que homens procurem o consultório relatando apenas uma queixa: “Minha libido diminuiu”. Embora pareça um problema simples, essa perda do desejo sexual pode ter origens muito diferentes e exige uma investigação cuidadosa antes de qualquer tratamento.
Libido e ereção não são a mesma coisa
O primeiro passo é diferenciar duas condições que frequentemente são confundidas.
Há homens que mantêm o desejo sexual, mas apresentam dificuldade para obter ou manter a ereção. Outros conseguem ter ereções normalmente, porém perderam o interesse por sexo. Também existem pacientes que convivem simultaneamente com queda da libido e disfunção erétil.
Essa distinção é fundamental porque desejo sexual e função erétil dependem de mecanismos diferentes e, muitas vezes, têm causas distintas.
Outro equívoco frequente é atribuir toda redução da libido à testosterona baixa. Embora esse hormônio seja importante, ele representa apenas uma parte da investigação.
Quais exames podem esclarecer a causa
Não existe um painel único indicado para todos os pacientes. A escolha depende da história clínica, da idade, dos sintomas e do exame físico. Entre os exames mais utilizados estão:
1. Testosterona livre e SHBG
A testosterona livre corresponde à fração biologicamente ativa do hormônio. Sua interpretação em conjunto com a SHBG, proteína responsável pelo transporte da testosterona no sangue, oferece uma avaliação mais precisa do status hormonal.
2. Estradiol
Apesar de ser conhecido como hormônio feminino, o estradiol também exerce funções importantes no organismo masculino. Alterações em seus níveis podem comprometer o equilíbrio hormonal e interferir no desejo sexual.
3. Prolactina
Níveis elevados de prolactina podem reduzir a libido, causar disfunção erétil e, em alguns casos, indicar alterações na hipófise que exigem investigação específica.
4. LH e FSH
Esses hormônios ajudam a identificar se uma eventual deficiência de testosterona tem origem nos testículos ou na hipófise, informação que muda completamente a abordagem terapêutica.
5. Ultrassom testicular
Quando existe suspeita de alterações estruturais, o exame permite identificar condições como varicocele, tumores, inflamações e outras doenças que podem comprometer a função dos testículos.
6. Doppler peniano
Indicado principalmente para homens cuja principal queixa é a dificuldade de ereção, especialmente pacientes jovens ou com suspeita de alterações vasculares. O exame avalia a circulação sanguínea do pênis e pode identificar problemas arteriais ou de retorno venoso.
Cada um desses exames responde a perguntas diferentes. Por isso, nenhum deve ser solicitado de forma indiscriminada.
Nem sempre o problema está nos hormônios
A queda da libido pode estar associada a diversas condições clínicas, entre elas:
obesidade;
diabetes;
doenças da tireoide;
alterações da prolactina;
doenças da hipófise;
distúrbios do sono;
depressão e ansiedade;
doenças cardiovasculares;
uso de alguns medicamentos;
deficiência de testosterona.
Em muitos casos, a redução do desejo sexual resulta da combinação de vários desses fatores.
Diagnóstico antes do tratamento
Nos últimos anos, aumentou o número de homens que procuram testosterona por conta própria ou recorrem à chamada modulação hormonal sem um diagnóstico adequado.
A reposição de testosterona pode trazer benefícios importantes para pacientes com deficiência hormonal comprovada e sintomas compatíveis. No entanto, seu uso indiscriminado pode reduzir a produção natural do hormônio, comprometer a fertilidade, aumentar o número de glóbulos vermelhos e dificultar o diagnóstico de outras doenças.
Além disso, quando a causa da queda da libido é psicológica, vascular, metabólica ou relacionada a outra alteração hormonal, a testosterona isoladamente não resolve o problema.
A saúde sexual masculina depende da interação entre hormônios, circulação sanguínea, sistema nervoso, saúde mental e hábitos de vida. Por isso, não existe um exame único nem um tratamento universal. O diagnóstico individualizado continua sendo a forma mais segura de identificar a origem da queixa e definir a melhor estratégia para cada paciente.
Douglas Schreck – CRM 37371
Médico com especialização em Radiologia e Diagnóstico por Imagem do SIR-Mãe de Deus
Coordenador do CDI-ultrassom do grupo Vila Nova (HRES)
Membro Brazil Health
Fonte: Jovem Pan