O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou neste sábado (8) que Teerã e Omã estão “muito perto” de fechar um novo acordo sobre uma rota de navegação pelo Estreito de Ormuz. A passagem é estratégica para o mercado internacional de energia, por onde circula cerca de 20% do comércio mundial de petróleo. Segundo Araqchi, os dois países discutem inicialmente uma rota temporária, enquanto questões técnicas e jurídicas para estabelecer um trajeto permanente são negociadas.
Na sexta-feira (7), um funcionário do governo dos Estados Unidos afirmou à Reuters que Washington esperava um entendimento entre Irã e Omã para a retomada do fluxo regular de petróleo pelo estreito. Segundo o representante americano, os EUA poderiam suspender o bloqueio aos portos iranianos depois que fosse anunciado um acordo que garantisse a navegação comercial sem impedimentos.
A possível definição entre Teerã e Mascate é considerada importante para as negociações destinadas a encerrar o conflito iniciado pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. Araqchi, porém, afirmou que a reabertura da passagem dependerá de algumas condições impostas pelo governo iraniano.
Entre as exigências está uma compensação pelo que Teerã considera uma violação, pelos Estados Unidos, do Memorando de Entendimento de Islamabad. O documento, assinado em 17 de junho, buscava reduzir as tensões e estabelecer condições para um cessar-fogo na região. O entendimento, porém, passou a ser questionado diante das divergências envolvendo a circulação de embarcações em Ormuz e a continuidade dos confrontos entre Israel e Hezbollah.
Nas últimas semanas, o presidente americano, Donald Trump, chegou a suspender uma nova ofensiva contra o Irã. Na ocasião, afirmou que o Irã e outros países do Oriente Médio haviam pedido a interrupção dos ataques porque os termos de um possível acordo estavam definidos. Trump disse que concordaria com a suspensão desde que fosse possível concluir rapidamente um entendimento.
Teerã, entretanto, negou que estivesse negociando diretamente com Washington e afirmou que as conversas em andamento eram exclusivamente com Omã e tratavam da administração conjunta do Estreito de Ormuz.
Fonte: Jovem Pan